Rúben Guerreiro: "Esta camisola não é minha, é dos portugueses também"

Rúben Guerreiro: "Esta camisola não é minha, é dos portugueses também"

O português Rúben Guerreiro (Education First) diz que a Volta a Itália em bicicleta, na qual venceu uma etapa e garantiu virtualmente a classificação da montanha, é "um sonho" e que "melhor era quase impossível"

"Nos últimos três dias tenho priorizado a montanha. Como tinha uma etapa no bolso... é um sonho de grande Volta. Melhor era quase impossível", explicou, Rúben Guerreiro (Education First), o ciclista português de 26 anos.

Guerreiro, que triunfou em Roccaraso, na nona etapa, algo que "queria mesmo muito", passou a ter como objetivo a luta pela montanha, tendo que investir em fugas desde muito cedo, para apanhar as subidas pontuáveis das primeiras metades de etapa, e escolher entre a camisola azul ou "ganhar outra" tirada.

O português natural de Pegões, no concelho do Montijo, destacou a "batalha muito dura" travada com o italiano Giovanni Visconti (Vini Zabù-KTM), que hoje abandonou antes da partida para a 18.ª etapa, na qual o luso confirmou a vitória.

Com 98 pontos ainda em disputa, a vantagem de Guerreiro, que soma 234 pontos, para o belga Thomas de Gendt (Lotto Soudal), segundo com 122, é de 112 pontos, pelo que a vitória está assegurada para o luso, num feito inédito para Portugal em classificações secundárias de voltas a Itália, França e Espanha.

"Já estava bastante justo de forças, cansado, mas consegui apanhar a primeira fuga e tirar alguns pontos, mas foi difícil bater o De Gendt. Os pontos que tinha davam-me alguma margem e ainda pensei na etapa, mas com o esforço [que tinha de fazer], o que vinha dos últimos dias... tem sido muito grande, já não tinha pernas", atirou.

Sobre um dia passado na etapa do Stelvio, a "Cima Coppi' desta edição, as palavras são simples: "Hoje, foi mesmo para "arrebentar' tudo. Foi o dia mais duro do Giro".

Na sexta-feira, quer "tentar recuperar", porque no sábado, último dia de montanha antes do contrarrelógio de domingo, quer "tentar uma perninha e disputar um bom lugar na etapa", sempre de olho numa segunda vitória.

A "desfrutar da camisola até Milão", não se cansando de avisar que é preciso lá chegar para consumar o feito, inédito no ciclismo português, não deixa de admitir que é "um grande, grande orgulho" poder ser o primeiro luso a vencer uma classificação em grandes Voltas.

"Esta camisola não é minha, é da equipa, dos massagistas, dos mecânicos, dos diretores, e dos portugueses também. O ciclismo é muito para lá de força nas pernas, e as forças que se podem ir buscar vêm da cabeça e da motivação das pessoas à nossa volta, e do nosso país. Tanta gente a apoiar nas redes sociais, só pode ser uma fonte de inspiração", comentou.

Guerreiro não esconde, ainda assim, a confiança de que "depois de um ano tão difícil", em 2019, "contava fazer um grande ano", sobretudo "depois daquela Volta a Espanha", em que foi 17.º na geral final e esteve por duas vezes perto de ganhar uma etapa.

"Estava em casa bastante ansioso e frustrado, digamos. [...] Foquei-me em fazer um bom Tirreno-Adriático, um bom Mundial e um bom Giro. Não estava a 100% nas primeiras corridas, estava um pouco ansioso também, mas tudo correu bem. Ainda temos de chegar a Milão, não é? Mas o que penso agora é que é uma temporada muito bem conseguida", reforçou.

Além da vitória na montanha, fez vingar a fuga em Roccaraso, terminando um jejum português de vitórias em etapa de 31 anos, desde a última das cinco de Acácio da Silva, mas também deu uma mão, em vários dias, ao compatriota na corrida, João Almeida (Deceuninck-QuickStep).

A 103.ª edição da Volta a Itália em bicicleta, que tem no holandês Wilco Kelderman (Sunweb) o líder da geral, com João Almeida em quinto e Ruben Guerreiro com a classificação da montanha matematicamente garantida, decorre até domingo.