Potencial de João Almeida abre portas: número dois no Tour ou líder no Giro ou Vuelta

Potencial de João Almeida abre portas: número dois no Tour ou líder no Giro ou Vuelta
Carlos Flórido

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O Giro ainda não acabou, mas em Wevelgem já se fazem contas: sendo João Almeida tão "voltista" como Remco Evenepoel promete ser, irá apoiar o belga no Tour ou liderar no Giro ou na Vuelta?

Com 783 vitórias em 18 anos, incluindo 23 clássicas Monumento e 96 etapas nas três Grandes Voltas, a Deceuninck-Quick Step nunca ganhou o Tour (Julian Alaphilippe foi quinto em 2019, melhor resultado da equipa), o Giro (Rigoberto Urán segundo em 2014) ou a Vuelta (Enric Mas segundo em 2018).

Patrick Lefevere, belga de 65 anos e CEO da formação que ganhou a alcunha de "Wolfpack" (Alcateia), pelo apetite por vitórias, disse em tempos que os belgas são "a Sky das clássicas". Uma filosofia que irá mudar em 2021 devido a três jovens, um deles João Almeida.

"Ainda não conhecemos o seu potencial final. Nem as suas ambições pessoais", disse há dias Lefevere, também ele impressionado com as prestações do atual quinto classificado do Giro. "Que lutador, que equipa! Perdemos uma batalha, mas ficámos mais fortes", comentou o belga depois de o português perder a rosa.

O futuro de Almeida, que está a render muito mais do que a terceira aposta jovem da equipa, o italiano Andrea Bagioli, de 21 anos e atual décimo na Vuelta, deveria passar pelo apoio a Remco Evenepoel. Colocá-lo na Volta a França do próximo ano ao lado do belga de 20 anos que ganhou todas as quatro corridas que disputou esta época, até cair e fraturar a bacia, seria a aposta mais segura para a transformação da Deceuninck numa equipa de Grandes Voltas. Remco terá de se bater no Tour com outros dois prodígios, Tadej Pogacar e Egan Bernal, pelo que o apoio de Almeida poderá fazer a diferença.

"Se ele continuar a desenvolver-se dessa forma, não terá de seguir a trajetória do Remco", disse Lefevere ao "Het Laatste Nieuws", abrindo horizontes ao jovem de A dos Francos, até por saber que "quando se tem uma camisola de líder, o crescimento é superior". Já em Itália, o CEO da equipa lembrou à Sporza ter feito "uma grande aposta na juventude" e estar surpreendido com Almeida, "que não se tinha dado tão bem nos sub-23".

O entusiasmo do dirigente só deixa duas opções: não indo ao Tour como número dois, Almeida será verdadeiro líder em Giro ou Vuelta.