Pelotão português vai para a estrada no próximo domingo após um mercado intenso

Pelotão português vai para a estrada no próximo domingo após um mercado intenso
Redação com Lusa

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A dança de equipamentos do pelotão nacional antecipa emoções renovadas na temporada de 2021, que arranca no domingo em Aveiro, embora seja expectável que o domínio da W52-FC Porto saia reforçado do (surpreendente) mercado de transferências.

Ano após ano, a história repetia-se: os favoritos (sempre os mesmos) jogavam pelo seguro e, indiferentes a guerrilhas internas, a incertezas nos contratos ou no pagamento de salários, ou a ressentimentos nascidos invariavelmente na Volta a Portugal, mantinham-se fiéis às suas equipas, rejeitando "in extremis" convites de adversários.

Mas depois de uma época atípica, profundamente marcada (e encurtada) pela pandemia de covid-19, a mente da maioria dos homens fortes do pelotão nacional parece ter expandido horizontes, dando origem à maior dança de equipas entre favoritos de que há memória em tempos recentes, com a surpresa mais sonante a ser a transferência de Jóni Brandão da Efapel para a W52-FC Porto.

Principal rival dos portistas nos últimos anos - foi três vezes segundo classificado na Volta a Portugal, sempre atrás de ciclistas da estrutura da atual W52-FC Porto, designadamente João Rodrigues (2019), Raúl Alarcón (2018) e Gustavo Veloso (2015) -, o ciclista de Travanca, de 31 anos, mudou-se para os dragões para ajudar a perpetuar a hegemonia da sua nova equipa, abdicando, nas suas palavras, de objetivos individuais.

A chegada de Brandão - que deverá herdar a vitória na Volta de 2018 de Raúl Alarcón, castigado por anomalias no passaporte biológico com uma suspensão de quatro anos e a anulação de todos os resultados desde 28 de julho de 2015 - coincidiu com a saída de Gustavo Veloso, finalmente resignado perante o facto de não ser o plano A (nem B) do diretor desportivo Nuno Ribeiro para a Volta a Portugal.

Depois de oito anos naquela estrutura, o veterano galego, de 41 anos, deparou-se com uma encruzilhada e decidiu sair da sua "casa" por querer tentar ganhar uma terceira Volta a Portugal, após as conquistas de 2014 e 2015, rumando à Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel, onde vai reencontrar o seu grande amigo Alejandro Marque, também ele a cumprir a sua última temporada.

Na equipa algarvia, Veloso vai substituir Frederico Figueiredo, o ciclista que relegou para o terceiro lugar do pódio da última Volta a Portugal, e que se transferiu para a Efapel, que, após uma "guerrilha" interna na edição especial da "prova rainha" do calendário nacional, elegeu António Carvalho em detrimento de Brandão.

A Efapel sofreu uma verdadeira razia, mas contratou Rafael Reis e Javier Moreno - e espera ainda por André Cardoso, que termina a sua suspensão em 26 de junho e tem integrado os estágios da equipa - para tentar contrariar a supremacia da W52-FC Porto no panorama nacional, sobretudo na Volta a Portugal, embora, em teoria, e após a extraordinária exibição de Amaro Antunes e João Rodrigues - e do "cérebro" Nuno Ribeiro - na última edição, essa seja uma missão praticamente impossível.

A última das transferências sonantes da pré-época foi a de Vicente García de Mateos, o espanhol que, após sete anos no Louletano e de (mais) uma dececionante Volta a Portugal, resolveu experimentar outra formação nacional, assinando pela Antarte-Feirense.

Outros dois nomes incontornáveis do pelotão nacional, Sérgio Paulinho e Tiago Machado, também rumaram a outras paragens, com o primeiro a escolher a LA Alumínios-LA Sport para terminar a carreira, e o segundo a regressar à casa onde despontou para o ciclismo, a Rádio Popular-Boavista.