Volta a Portugal: as etapas, os favoritos e mais sobre a 81ª edição

Volta a Portugal: as etapas, os favoritos e mais sobre a 81ª edição
Carlos Flórido/Frederico Bártolo

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Percurso muito a Norte é dos melhores dos últimos anos, tal como a lista de inscritos, que tem de novo estrangeiros capazes de dar luta. Mas a maior novidade é a diversidade de candidatos portugueses.

Se, há três anos, o triunfo de Rui Vinhas foi uma surpresa saída de um golpe estratégico de Nuno Ribeiro, diretor desportivo da W52-FC Porto, na partida de hoje, em Viseu, quase todos os favoritos ao triunfo na 81.ª Volta a Portugal serão corredores nacionais, uma novidade originada pela ausência de Raúl Alarcón, vencedor incontestável das duas últimas edições. E a importância de ganhar um português está bem patente nos números: este século, só Vítor Gamito (2000), Nuno Ribeiro (2003), Ricardo Mestre (2011) e Rui Vinhas (2016) o conseguiram.

Ontem, na tradicional apresentação das equipas, em espetáculo promovido pela RTP no centro de Viseu, notaram-se não só os recentes cortes de cabelo como as previsões de uma corrida aberta, depois de cinco anos de domínio de Raúl Alarcón e Gustavo Veloso, com a tal intromissão de Vinhas, à frente do galego numa dobradinha portista. "Não há quem marque a diferença como Alarcón. Nos últimos anos tenho falhado a subir e não sou dos favoritos", disse ontem Veloso, apontando um deles: "O Jóni é o homem mais forte."

"Temos de contrariar o favoritismo dele e quero contribuir para uma possível vitória. Admito que gostava de ganhar na Torre, ser o primeiro lá dá confiança. Tenho estado na discussão e penso que vou estar bem, mas o João Rodrigues, o Ricardo Mestre e o António Carvalho podem ser cartas", diz Edgar Pinto a O JOGO, dando a entender a variedade de soluções da W52-FC Porto.

"Eles ganham desde 2013, são favoritos. Nunca venci e eles já; tal como o Sporting, que tem um bloco muito forte. Ambos têm quatro peças para vencer. Não nos podem atirar a responsabilidade toda da corrida", responde Jóni Brandão, aquele a que todos apontam, elencando ainda "Edgar, Carvalho, Mestre e Rodrigues" como rivais. Depois deixa palavras de grande desportivismo: "Gostava que o Alarcón estivesse presente, fazem falta os melhores."

Com Vicente García de Mateos a ficar mais uma vez discreto entre os favoritos - "Trabalhei muito e quero a amarela", garantiu em Viseu o espanhol do Louletano -, este ano espera-se ainda um Sporting-Tavira à altura dos portistas. "Tenho uma equipa forte, com ciclistas muito bons do meu lado", atirou Tiago Machado, novidade na lista após uma década no World Tour. Admitindo dificuldades de "adaptação ao ciclismo português", o leão será posto à prova num percurso emotivo como nunca.

Sendo certo que a chegada à Torre, já no domingo, selecionará os favoritos, a verdade é que também há finais a subir em Loures, Guarda, Montalegre, Felgueiras e Mondim de Basto, num desafio inédito de 60% de chegadas em montanha! A completar as notícias animadoras, no pelotão de estrangeiros há gente, como Óscar Sevilla e Marco Tizza, com qualidade para discutir a geral.

OS FAVORITOS

Edgar Pinto
Equipa: W52-FC Porto
Idade: 33 anos (27.08.1985)
Naturalidade: Albergaria
Melhor na Volta: 4.º (2013 e 2018)

É dos melhores portugueses da última década e discutiu a Volta nos dois últimos anos, alinhando pela primeira vez por uma das maiores equipas. Muito completo, foi o principal portista nas provas internacionais.

Tiago Machado
Equipa: Sporting-Tavira
Idade: 33 anos (18.10.1985)
Naturalidade: Famalicão
Melhor na Volta: 5.º (2009)

Regressa após nove anos no World Tour, tendo o sonho de vencer a Volta, da qual se despediu há uma década. Forte na montanha e no contrarrelógio, dedicou a época à preparação desta corrida e o seu desempenho será uma incógnita.

Jóni Brandão
Equipa: Efapel
Idade: 29 anos (20.11.1989)
Naturalidade: Travanca
Melhor na Volta: 2.º (2015 e 2018)

Desde o quarto lugar em 2014 que discute sempre a Volta - faltou em 2017 devido a doença - e esta época, regressado à equipa onde se afirmou, tem estado mais forte do que nunca. Os seus ataques demolidores na Serra da Estrela são uma tradição.

Vicente García Mateos
Equipa: Aviludo-Louletano
Idade: 30 anos (19.09.1988)
Naturalidade: Manzanares
Melhor na Volta: 3.º (2017 e 2018)

Brilhou na pista e como sprinter, mas converteu-se em corredor completo em 2016 e desde aí discute a Volta. Será temível nos finais em subidas curtas e favorito no contrarrelógio final. Há um ano ganhou em Fafe.