Sérgio Paulinho: "Do Alberto esperava pelo menos um telefonema..."

Sérgio Paulinho: "Do Alberto esperava pelo menos um telefonema..."
Carlos Flórido, enviado especial em Doha, Catar

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Voltar a Portugal não é hipótese para o único medalhado olímpico português no ciclismo, que tem 36 anos mas ainda pretende correr pelo menos mais dois no WorldTour.

Já se constaram hipóteses como a Movistar ou a Katusha, mas Sérgio Paulinho continua sem ter equipa para 2017 e poderá ter de esperar que a União Ciclista Internacional decida o número de corredores por cada equipa WorldTour para que o seu manager, João Correia, feche um acordo. "Talvez na próxima semana", diz. O estranho do caso é o facto de aquele que é reconhecido como um dos melhores trabalhadores do pelotão mundial ainda estar à espera. Mas ele indica um responsável.

"Não contava com este impasse. O Alberto [Contador] disse, desde o início do ano, que estava a tentar fazer uma equipa sua e que eu poderia estar tranquilo, pois iria para lá. Quando percebeu que não a podia fazer, disse-me que iria sempre com ele. Até hoje nunca recebi um telefonema dele. Quando assinou pela Trek falámos com a equipa e disseram-nos que o meu nome nunca tinha sido mencionado. A partir daí tornou-se tarde para encontrar equipa, já era depois do Tour", contou Sérgio Paulinho, fazendo uma ressalva: "Ele não era obrigado a levar-me, mas, depois de tantos anos juntos, não ficaria mal um telefonema a dizer "Sérgio não podes vir comigo"."

Paulinho acredita que dentro de dias terá o seu futuro definido. "Sempre disse que ainda queria fazer mais dois anos a um bom nível. Para aquilo que as equipas me pedem, acho que ainda o faço. E depois se veria: ou fim da carreira ou andar ano a ano até dizer chega." Mudar-se para uma equipa portuguesa é que não será hipótese: "Sempre disse que tinha essa ideia, de acabar em Portugal. Mas, sem querer desvalorizar os ciclistas e as equipas nacionais, pensei melhor e decidi acabar no estrangeiro. Não é que o pelotão esteja fraco, mas as condições ou algo mais não me cativam para voltar. Se fosse para treinar outros ciclistas, e não tendo equipa, aceitaria logo. Mais um ano em cima da bicicleta, não. Prefiro ir treinar jovens, algo de que gosto."

Paulinho não gosta de Mundiais como o do Catar, com percurso plano e provavelmente vento, e é pena, pois está em forma. "O ano não saiu bem. No Paris-Nice estava em boa forma e tive uma tendinite. Fiquei quase um mês parado. Depois recuperei e estava a evoluir quando fiquei de cama uma semana, a penicilina, para tratar a garganta. Fui um pouco abaixo e não estava em condições de fazer o Tour. Fiz a Volta a Espanha ainda sem a condição ideal, mas saí de lá como esperava. Fiz um Europeu bastante bom e aqui... daremos o nosso melhor."