Nibali em entrevista a O JOGO: "Quero vencer outra Grande Volta e depois os Mundiais e em Tóquio"2020"

Nibali em entrevista a O JOGO: "Quero vencer outra Grande Volta e depois os Mundiais e em Tóquio"2020"
Frederico Bártolo

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Em entrevista exclusiva a O JOGO, Vincenzo Nibali explica a forma destemida que usou para ganhar a clássica Monumento que, em 2018, lhe completou o palmarés

Vincenzo Nibali iniciou 2018 como o único ciclista em atividade que vencera as três Grandes Voltas. Chris Froome (Sky) acabou com a exclusividade do italiano ao vencer o Giro, a única grande que lhe faltava. Nada que retire o protagonismo ao líder da Bahrain-Merida, que, com uma carreira feita, no ano passado arriscou a sorte para vencer em São Remo a segunda clássica Monumento do palmarés, fazendo lembrar outros tempos, nos quais os voltistas pedalavam para vencer tudo. Conhecido como Tubarão de Messina, foi o único, desde 2011, a quebrar a hegemonia da Sky no Tour e a ambição continua lá toda. Hoje inicia um Tirreno-Adriático mais apontado a homens de clássicas, ótima preparação para São Remo, Liège e Giro.

Qual a razão para apontar este ano ao Giro, que já venceu em 2013 e 2016?

Para um corredor italiano o Giro tem um charme especial. E como não estive o ano passado, senti mais saudades. Daí estar muito feliz por voltar.

Os 61 quilómetros de contrarrelógio individual serão decisivos?

O percurso é, como sempre, muito difícil. Os contrarrelógios são importantes. Duros, diga-se, mas as montanhas decidem sempre quem vence.

E para a Volta a França [ganhou em 2014] que aí vem, o que perspetiva?

O primeiro objetivo é o Giro, depois verei como me encontro, mas não imponho limites a mim mesmo.

Sente que o Tour está agora talhado para as equipas com maiores orçamentos?

A organização das equipas e a forma de correr é muito importante. Claro que com mais dinheiro se consegue, muitas vezes, uma organização superior. Mas são as pernas a ditar o sucesso...

A Milão-São Remo costuma ser para sprinters, mas o Nibali atacou na subida do Poggio. A 5 km da meta, tinha 8s de avanço. Ganhou adeptos?

Tenho mais fãs desde essa altura. Foi uma vitória particular, diferente de tudo, que entusiasmou quem ama o ciclismo. Em Liège, posso fazer algo semelhante.

Aos 34 anos, o que lhe falta ganhar?

Tenho um grande palmarés, mas olho sempre em frente. Quero vencer outra Grande Volta e depois os Mundiais e os Jogos de Tóquio"2020.

"Valverde e Sagan são como eu"

O ataque no Poggio que valeu o triunfo na Milão-São Remo foi um exemplo de coragem. Nada de estranho em Nibali, que também ganhou a Lombardia duas vezes ao jeito atacante. Mesmo no Tour que venceu, não se escudou na amarela que envergava e ganhou quatro etapas. Desafiado a comentar se alguém tem, atualmente, a sua ousadia, o transalpino elege o último e o atual campeão mundial como os preferidos. "Há mais ciclistas destemidos. Como eu, talvez o Peter Sagan [Bora] e o Alejandro Valverde [Movistar]. Sabem ler bem a corrida e isso é uma vantagem para o espetáculo", afirma o Tubarão de Messina, destacando a importância de quebrar a monotonia: "As corridas são muitas vezes previsíveis. Um ataque pode bem fazer a diferença e surpreender as estratégias mais definidas. Claro que, para isso acontecer, é preciso encontrar o momento certo."