Domingos Gonçalves: "Uma vitória na Volta era o que precisava"

Domingos Gonçalves: "Uma vitória na Volta era o que precisava"

Português Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) venceu a sexta etapa da Volta a Portugal.

O português Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) coroou a excelente temporada com o concretizar do sonho de triunfar na Volta a Portugal, na sexta etapa, com o espanhol Raúl Alarcón (W52-FC Porto) a manter a liderança. A 13 quilómetros da meta em Boticas, colocada 165,4 quilómetros depois da partida em Sernancelhe, o campeão nacional de fundo e de contrarrelógio lançou-se em solitário para ser o primeiro vencedor naquela vila transmontana.

O ciclista de Roriz cortou a meta em 4:09.09 horas, menos 20 segundos do que o grupo dos principais favoritos, liderado pelo norueguês Krister Hagen (Coop) e pelo português Daniel Mestre (Efapel). "Uma vitória na Volta era o que precisava. Estou muito contente, agradeço à equipa, aos patrocinadores e aos meus colegas", afirmou.

A estratégia da Rádio Popular-Boavista era de atacar esta etapa e isso viu-se logo desde início, com várias tentativas de fuga e a colocação de Filipe Cardoso na fuga do dia, que teve 12 corredores e foi anulada na última subida do dia.

A escalada para Torneiros, uma inédita contagem de primeira categoria, pôs à prova os favoritos, com vários ataques nos duríssimos cinco quilómetros, mas sempre com o líder a controlar, mesmo sem o apoio da W52-FC Porto, e mesmo a tentar deixar os rivais para trás.

Os quatro primeiros classificados -- Alarcón, Jóni Brandão (Sporting-Tavira), Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano) e Edgar Pinto (Vito-Feirense-Blackjack) -- chegaram a andar isolados na frente da corrida, mas acabaram por permitir que um grupo maior voltasse a encostar.

O espanhol Xuban Errazkin (Vito-Feirense-Blackjack), que já conhecia a subida da Volta a Portugal do futuro, foi o único a conseguir alguma vantagem e passou em primeiro na contagem de montanha, sendo apanhado já na descida, onde Domingos Gonçalves atacou para não mais ser apanhado, apesar das tentativas de Bruno Silva (Efapel) ou de Fernando Barceló (Euskadi-Murias). "No ataque tentei surpreendê-los e ganhar o máximo de tempo possível naquela fase de sobe e desce e depois tentei manter a distância", referiu Domingos Gonçalves.

Com o axadrezado isolado, a W52-FC Porto, já com dois reforços depois de Alarcón ter ficado só em grande parte da subida, controlou o pelotão e levou o grupo de favoritos até à meta, com o vencedor da Volta em 2017 a cruzar a meta a agradecer ao companheiro João Rodrigues. "Ficámos quatro na frente, eu, Vicente, Edgar e Jóni, depois vinham outros corredores. Olhei para trás e vi que vinham uns colegas meus e decidi não atacar mais e confiar neles e sabia que íamos chegar ao fim como agora", afirmou.

Com quatro etapas por disputar, Alarcón mantém os 52 segundos de vantagem sobre Jóni Brandão e 1.41 minutos sobre García de Mateos.

Na quinta-feira esperam-se mais ataques à liderança dos 'dragões', com a ligação entre Montalegre e Viana do Castelo (165,5 quilómetros) a terminar no Santuário de Santa Luzia, uma contagem de montanha de terceira categoria.

"As etapas que vêm não vão ser nada calmas, vão haver ataques, vamos estar atentos aos rivais mais diretos e depois veremos na etapa de sábado [Senhora da Graça] o que acontece", referiu Alarcón.