André Cardoso já calculava suspensão: "A UCI sabe que não sou uma estrela"

André Cardoso já calculava suspensão: "A UCI sabe que não sou uma estrela"
Carlos Flórido

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"Não tenho dinheiro suficiente para lutar. Será mais fácil porem-me fora do desporto", disse André Cardoso em julho, assinando a sua sentença: o caso era controverso e termina com uma pena pesada

André Cardoso foi punido com quatro anos de suspensão pela União Ciclista Internacional (UCI) devido a um controlo antidoping positivo, o que encerra um caso que se estende desde 18 de junho de 2017, data em que foi alvo de um controlo-surpresa, em sua casa, que forneceu um resultado raro: a amostra A acusou eritropoietina (EPO), a B não. O laboratório de Lausana, na Suíça, decidiu considerar a contra-análise um "resultado atípico", o que, segundo a lei, permite castigar o atleta.

O gondomarense de 34 anos, que corria na Trek e estava na altura convocado para a Volta a França, só poderá voltar a correr em julho de 2021, pelo que a sua carreira terá terminado, algo que o próprio calculava no verão passado, quando interrompeu um longo silêncio para dar uma entrevista ao site "Velonews". Já trabalhando como guia em passeios de ciclismo, admitiu na altura que o seu caso "já não é de doping, mas político". "A UCI sabe que não sou uma estrela, que não sou milionário, que não tenho dinheiro para lutar, e não quer dizer que o laboratório cometeu um erro", disse ainda, admitindo que não recorreria ao Tribunal Arbitral do Desporto. Só o início da sua defesa já custara mais de sete mil euros.

Até à data, todos os atletas com resultado negativo na amostra B foram ilibados. Os casos "atípicos" são mais raros, mas também existem - em 2005, os triatletas Virginia Berasategui e Ibán Rodríguez tiveram as penas anuladas. E nunca, esse é outro facto, valeram penas de quatro anos.