Ruben Guerreiro: "Não faço realmente ideia até onde posso chegar no Tour"

O ciclista português Rúben Guerreiro

 foto EPA

Português ​venceu ​​​​​​o Mont Ventoux Dénivelé Challenge, há duas semanas, e foi nono na geral do Critério do Dauphiné, dias antes.

Ruben Guerreiro não faz ideia até onde pode chegar na segunda presença na Volta a França, mas promete ir "improvisando" com aquilo que a corrida lhe der, aspirando a uma vitória em etapa e, quem sabe, ao top-10.

"Não faço realmente ideia até onde posso chegar nesta minha segunda presença no Tour, mas a ambição é de vitória e sinto-me em melhor forma física do que no ano passado, por isso vou lutar pelos meus objetivos e da equipa", começou por dizer à agêrncia Lusa, depois de ter aterrado em Copenhaga, a capital dinamarquesa que na sexta-feira vai acolher o arranque da 109.ª edição.

Após ter terminado no 18.º lugar na sua estreia na Grande Boucle, no ano passado, o ciclista português da EF Education-EasyPost parece destinado a voos mais altos nesta edição, depois de ter vencido o Mont Ventoux Dénivelé Challenge, há duas semanas, e ter sido nono na geral do Critério do Dauphiné, dias antes.

"Um top-10 é sempre algo que um ciclista profissional procura quando chega ao Tour - um top-10 na Volta a França ou numa grande Volta é das maiores coisas que se pode fazer no ciclismo. Eu não fujo à regra, mas tenho de respeitar os objetivos da equipa, que é disputar uma etapa. É nisso que me vou focar. A etapa já é bastante difícil, acho que se ganhasse uma etapa já era um feito enorme", destacou, em entrevista à Lusa.

No entanto, "como ambicioso" que é, o corredor de Pegões vai "estar sempre à procura de tentar uma oportunidade e, porque não, sonhar com esse top-10, sempre respeitando muito os ciclistas adversários e os colegas", nomeadamente Rigoberto Urán e Neilson Powless, que "também têm capacidade de fazer top-10 ou top-5, quem sabe pódio".

"Veremos o que a própria corrida tem para me dar e, com isso, vou improvisando", completou, antes de esclarecer: "Não vou trabalhar para ninguém, ninguém vai trabalhar para mim. Sou, digamos, um corredor livre. Depois das etapas aqui na Dinamarca e do pavé, tudo pode acontecer".

A fasquia está mais alta para o "rei da montanha" do Giro'2020 depois do triunfo numa das mais míticas subidas francesas, e Guerreiro garante dar-se bem com aquilo que esperam de si neste Tour.

"Eu gosto de pressão. Quando não me colocam pressão, eu perco um bocado a chama. Ponho muita pressão em mim mesmo, e é isso que me faz ter mais vontade de ganhar. Com a vitória no Mont Ventoux, vou estar à espera de fazer igual ou melhor. Tenho 27 anos, vou fazer 28, mas acho que sou um ciclista em evolução, trabalho cada dia para ser melhor, e este ano encontrei-me como ciclista e como pessoa também, dentro e fora das corridas", revelou.

O português da EF Education-EasyPost acredita "sem dúvida" ter encontrado o seu caminho na modalidade, sendo, por isso, taxativo a reconhecer que conquistar a camisola da montanha na Grande Boucle não é uma das suas ambições.

"Sinceramente, esse não é o meu principal objetivo. Claro que se vier, é com todo o gosto [que a visto], mas o meu objetivo realmente era ganhar uma etapa e mostrar essa consistência na montanha", disse o ciclista que já sabe o que é triunfar numa grande Volta (ganhou a nona tirada do Giro em que levou a camisola da montanha para casa).

Num discurso permanentemente pontuado pela palavra "vencer" - é esse, garante, o seu único foco -, Guerreiro prognosticou ainda "uma Volta a França muito dura, das mais duras dos últimos anos, e com muito stress, com estes primeiros dias de vento na Dinamarca e o pavé", reservado para a quinta etapa.

"Os principais favoritos são o [Tadej] Pogacar e, depois, os dois homens da Jumbo, o [Primoz] Roglic e o [Jonas] Vingegaard. E há um lote de candidatos ao pódio e top-5, como o Aleksandr Vlasov, o [Enric] Mas, o [Ben] O"Connor, entre outros, e espero que possamos meter alguém entre esses candidatos", anteviu ainda.

Cada vez mais popular entre os adeptos da modalidade, o cowboy de Pegões terá a oportunidade de estender a sua legião de seguidores a outros pontos do globo, uma vez que a sua equipa será uma das que protagonizará o documentário da plataforma Netflix sobre a Volta a França.

"Acho que isto vai ser outro passo para o ciclismo, porque as coisas estão mal resolvidas entre o público geral e a modalidade. Desde o caso [de Lance] Armstrong, nunca nada foi como antes, pela dimensão que ele deu a esta modalidade e, com a entrada da Netflix, acho que tem tudo para toda a gente conhecer um pouco mais os bastidores, as personagens, o próprio desporto, que é magnífico. Vai haver mais fãs dentro de pouco tempo", defendeu.