João Almeida e Carapaz solidários com os desempregados da RusVelo

 foto CPA

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Ciclistas da Volta a Itália manifestaram apoio aos colegas, de seis nacionalidades, que estão impedidos de procurar nova equipa.

Richard Carapaz e João Almeida foram dois dos muitos corredores da Volta a Itália que ontem fizeram a etapa levando no pulso uma pulseira azul com a palavra "WHY?". A pergunta refere-se à campanha #whycantweride ("por que não podemos correr?"), que defende uma solução para os ciclistas da equipa russa Gazprom-RusVelo, extinta em março, depois das sanções aplicadas pela União Ciclista Internacional (UCI) na sequência da guerra da Ucrânia. São 21 corredores e 164 pessoas, afetando 53 famílias, que estão desempregados há dois meses.

A campanha, lançada pela Associação dos Ciclistas Profissionais (CPA), contesta a ausência de uma solução profissional para um grupo que tem seis nacionalidades - Costa Rica, República Checa, Itália, Noruega, Espanha e Rússia -, já se manifestou contra a guerra e propôs várias possibilidades para o seu futuro.

A mais simples seria autorizar a equipa a competir com camisolas brancas e sem nacionalidade, até encontrar outro patrocinador, fora da Rússia. A alternativa será autorizar os corredores a assinar por outras equipas - e algumas já manifestaram interesse -, mas esta choca com o limite máximo de corredores por formação imposto pela UCI.

Neste momento, a CPA procura precisamente uma alteração temporária das regras, para permitir que os desempregados encontrem novas equipas, e foi a essa campanha que os corredores do Giro aderiram.

"Temos tentado facilitar o diálogo entre a equipa e a UCI desde que o problema surgiu, infelizmente sem sucesso. Não está a ser possível deixar estes atletas competirem com camisola neutra ou em outras equipas, como foi pedido. Tal como nós, todos os 21 corredores são frontalmente contra a guerra, mas estão a sofrer consequências dela e, se a UCI nada fizer, podem ser obrigados a terminar de vez a carreira. Queremos que a UCI ouça a nossa voz e ajude este grupo", explicou Gianni Bugno, presidente da CPA.

Já com 10 anos no pelotão internacional, a agora extinta Gazprom-RusVelo tinha como corredores mais famosos Ilnur Zakarin, vencedor de etapas no Tour e no Giro e terceiro da geral na Vuelta, e Sergei Chernetski. Já Dmitry Strakhov é bem conhecido em Portugal, pois ganhou o Grande Prémio das Beiras e duas etapas na Volta ao Alentejo.