NBA está de volta: transferências, curiosidades e muitos candidatos

NBA está de volta: transferências, curiosidades e muitos candidatos
Catarina Domingos

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Na época passada, e contra todas as expectativas, os Toronto Raptors festejaram um título inédito, batendo Golden State por 4-2. Este ano, com tantos favoritos - terá perto de uma dezena de aspirantes ao título, após um defeso louco -, o desfecho é ainda mais imprevisível

A mudança de Anthony Davis para os Lakers, já prevista desde fevereiro, quando pediu para sair de New Orleans, foi só o princípio de um dos defesos mais loucos de sempre e que mudou por completo o panorama da NBA.

Na nova época que esta madrugada começa, é quase impossível arriscar um palpite de quem será o campeão em junho de 2020, havendo perto de uma dezena de equipas com aspirações! Um cenário bem distinto daquele que existiu num passado recente, em que Golden State e Cleveland protagonizaram vários tira-teimas seguidos, o que demonstra bem o peso que as decisões dos jogadores passaram a ter.

Entre os candidatos, o campeão Toronto está longe de ser o maior, mesmo mantendo Kyle Lowry, Pascal Siakam, Marc Gasol, Serge Ibaka ou Fred VanVleet. Após festejarem um título inédito, tendo sido o primeiro conjunto não americano a conquistar a NBA, os Raptors perderam o MVP, Kawhi Leonard.

Ao fim de apenas um ano no Canadá, o extremo mudou-se para os LA Clippers, com Paul George (ex-Oklahoma), numa transferência-surpresa, prometendo ambos, juntamente com Patrick Beverley, formar um dos melhores conjuntos a nível defensivo para ajudar uma franquia sem grandes feitos e à entrada do 50.º aniversário - só foram aos play-offs três vezes nos primeiros 22 anos, contando com o tempo em que eram Buffalo Braves - a sair da sombra dos Lakers.

Já à equipa de LeBron James - que na época passada falhou a presença nas finais pela primeira vez em oito anos - chegaram Danny Green (ex-Toronto), Jared Dudley (ex-Brooklyn), DeMarcus Cousins (ex-Golden State) e Dwight Howard (ex-Washington), além de Davis, fazendo de Los Angeles o epicentro da corrida ao anel.

Mas Houston (com Russell Westbrook junto a James Harden), Brooklyn (Kyrie Irving terá a companhia de Kevin Durant quando este recuperar de uma lesão grave), Milwaukee (com o MVP da última fase regular, Giannis Antetokounmpo) e Philadelphia (com Joel Embiid, Ben Simmons e agora Al Horford) querem ter uma palavra a dizer.

Para Golden State, que festejou três anéis em cinco anos e se estreará no Chase Arena de San Francisco, "o campeonato ainda é um objetivo", garante Stephen Curry, que conta com a ajuda de Draymond Green e do reforço D"Angelo Russell, um All-Star vindo de Brooklyn, mesmo que Klay Thompson só volte no próximo ano - rompeu os ligamentos do joelho esquerdo - e Durant já não esteja por lá...

Kawhi Leonard: 22 dias entre ser campeão e escolher novo destino

Apenas 22 dias depois de ter levado Toronto a ganhar a NBA, Kawhi Leonard decidiu prosseguir a carreira na cidade natal, tendo sido o primeiro MVP das finais a deixar uma equipa logo após a conquista do título.

Para dar o "sim" aos Clippers, o extremo tinha como condição a aquisição de uma segunda estrela, convencendo Paul George, que renovara um ano antes com Oklahoma - antes tentara Durant, que preferiu Brooklyn. "Acredito que, pela primeira vez, as pessoas vão ficar entusiasmadas por ver o lado defensivo. Podemos fazer algo realmente especial", previu George, ausente mais um mês, a recuperar de cirurgias que fez aos ombros.

PRINCIPAIS TRANSFERÊNCIAS

Jogador (de-para)

Al Horford (Boston-Philadelphia)
Andre Iguodala (Golden State-Memphis)
Anthony Davis (New Orleans-LA Lakers)
Chris Paul (Houston-Oklahoma)
D"Angelo Russell (Brooklyn-Golden State)
Danny Green (Toronto-LA Lakers)
DeMarcus Cousins (Golden State-LA Lakers)
Derrick Rose (Minnesota-Detroit)
Dwight Howard (Washington-LA Lakers)
Jimmy Butler (Philadelphia-Miami)
Kawhi Leonard (Toronto-LA Clippers)
Kemba Walker (Charlotte-Boston)
Kevin Durant (Golden State-Brooklyn)
Kyle Korver (Utah-Milwaukee)
Kyrie Irving (Boston-Brooklyn)
Mike Conley (Memphis-Utah)
Pau Gasol (Milwaukee-Portland)
Paul George (Oklahoma-LA Clippers)
Ricky Rubio (Utah-Phoenix)

DADOS

NBA pelo mundo: em 2019/20, haverá três jogos fora dos EUA e Canadá: dois na Cidade do México (Dallas- Detroit a 12 de dezembro e San Antonio- Phoenix a 14) e um em Paris (Charlotte- Milwaukee, a 24 de janeiro de 2020)

Pré-época: Denver e New Orleans não sofreram qualquer derrota durante a pré- temporada: os Nuggets venceram quatro jogos, os Pelicans cinco

Televisão: em Portugal, a NBA continua a passar na Sport TV, sendo os LA Clippers a equipa com mais transmissões na fase regular (26 jogos)

CHINA DE COSTAS VOLTADAS À NBA

Comissário Adam Silver acredita num entendimento para recuperar um mercado tão importante, mas as consequências económicas já são inevitáveis devido a uma crise que começou no Twitter

Um mero tweet de Daryl Morey, diretor-geral de Houston, a apoiar os manifestantes de Hong Kong ("Lutem pela liberdade. Apoio a Hong Kong" foi a frase, depois apagada) foi o que bastou para o governo chinês declarar guerra, primeiro aos Rockets e depois à NBA, nas últimas semanas.

O conflito levou à retirada de outdoors e ao cancelamento de atividades durante a visita de Brooklyn e Lakers ao país - os jogos de pré-época acabaram por realizar-se, mas sem grande aparato -, não tendo fim à vista e podendo significar prejuízos incalculáveis para a liga norte-americana, tratando-se aquele país de um mercado tão importante.

"Está a ser um momento muito difícil, mas creio que chegaremos a um entendimento", disse Adam Silver à ESPN. A lidar com uma das polémicas mais sérias desde que assumiu a NBA, em 2012 - a outra esteve relacionada com os comentários racistas de Donald Sterling, posteriormente irradiado e forçado a vender os Clippers -, o comissário tem defendido que "valores como igualdade, respeito e liberdade de expressão definem a NBA há muito", acrescentando que, ao contrário do que queria o governo chinês, despedir Daryl Morey ou castigá-lo esteve sempre fora de questão.

Por seu turno, a China tem acusado o responsável de mentir sobre o pedido de afastamento do dirigente dos Rockets e a televisão estatal (CCTV) já lhe prometeu "uma retaliação mais cedo ao mais tarde".

Os jogadores também não têm escapado às críticas, a maioria deles por se estar a remeter ao silêncio, mas LeBron James colocou-se mesmo debaixo de fogo por dizer que Morey estava mal informado quando fez a dita publicação. "Eles e LeBron, que tem um historial incrível, mudaram a vida de pessoas nos Estados Unidos. E liberdade de expressão também é a liberdade de não falar", respondeu Silver.

CRISE QUE PÔS EQUIPAS A FAZER CONTAS

Clima de tensão entre a NBA e a China pode fazer baixar o teto salarial em 2020/21

Como o comissário Adam Silver admitiu que "as consequências financeiras foram e continuarão a ser bastante dramáticas", várias emblemas da NBA já estarão a fazer contas à vida, aguardando o pior cenário, o de uma quebra no teto salarial entre os 10 e os 15 por cento.

Fixado em 97,5 milhões de euros esta temporada, o limite que uma equipa pode gastar em salários está projetado para ser de 103 milhões em 2020/21, mas o clima de tensão com a China poderá levar a um recuo até aos 87,5 milhões, o que colocaria muitas equipas a pagar (ainda) mais taxas de luxo.

Quanto aos jogadores mais bem pagos da nova época, Stephen Curry lidera a lista. John Wall (Washington) fecha o top 5 (34,8 milhões), mas não fará qualquer jogo esta época: em fevereiro, e quando recuperava de uma cirurgia ao calcanhar esquerdo, escorregou em casa e rompeu o tendão de Aquiles do mesmo pé.

CORTE: 15%

Teto salarial pode sofrer uma quebra em 2020/21 devido à crise com a China, deixando equipas a temer o pior

Salários dos mais bem pagos (milhões de euros)

1.º Stephen Curry (Golden State) - 36,6
2.º Russell Westbrook (Houston) - 35
3.º Chris Paul (Oklahoma) - 35
4.º James Harden (Houston) - 34,8
5.º John Wall (Washington) - 34,8

CURIOSIDADES

Cinco mudanças nos bancos: entre as 30 equipas da liga norte-americana, cinco mexeram nos comandos técnicos durante o defeso: Cleveland (John Beilin), Memphis (Taylor Jenkins), Phoenix (Monty Williams), Sacramento (Luke Walton) e LA Lakers (Frank Vogel). No caso do novo timoneiro de LeBron James e companhia, é o regresso ao ativo após uma época de paragem.

Vince Carter para a eternidade: ao renovar com Atlanta, Vince Carter, de 42 anos, irá para a 22.ª temporada na NBA, preparando-se para liderar a lista de jogadores com mais épocas na competição. Em 2018/19, o veterano fez 76 jogos pelos Hawks e esta época quer jogar as 82 jornadas!

All-Star de volta a Chicago: pela terceira vez no historial, Chicago prepara-se para receber o All-Star Weekend, a realizar entre 14 e 16 de fevereiro de 2020. A Cidade do Vento acolheu o evento em 1973 e em 1988, na altura no antigo Chicago Stadium. Desta vez, o palco será o United Center.

Há uma nova estrela: Zion Williamson: com 1,98 metros e 129 quilos, Zion Williamson foi a primeira escolha do Draft, sendo o rookie de New Orleans aquele que mais expectativas gera desde a chegada de LeBron James à NBA, em 2003. Com 19 anos, já fatura mais de cem milhões de euros em contratos, mas a estreia tem de esperar: perderá as primeiras semanas devido a lesão no joelho direito.

Sem um português... ainda: Neemias Queta ainda se declarou para o Draft deste ano, mas acabou por retirar o nome, depois de ser observado por várias equipas e ter ido ao NBA Combine (evento com as melhores promessas). O poste luso decidiu passar mais um ano em Utah State para ganhar estatuto, depois de já ter surgido em algumas projeções para escolha de primeira ronda.