"Benfica e FC Porto andarão acima de um milhão de euros e a Oliveirense anda pelos 300 mil"

"Benfica e FC Porto andarão acima de um milhão de euros e a Oliveirense anda pelos 300 mil"

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Rui Guimarães

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Treinador da Oliveirense falou a O JOGO após a conquista da Taça Hugo dos Santos, o terceiro troféu seguido da formação de Oliveira de Azeméis, depois da Liga Portuguesa e da Supertaça

Norberto Alves, natural de Coimbra, falou com O JOGO sobre os êxitos da Oliveirense.

Esta equipa da Oliveirense é a melhor de Portugal?

Numa perspetiva global, se não é a melhor, está ao nível das melhores. É uma equipa que faz do coletivo a sua arma. Financeiramente, a Oliveirense está muito abaixo dos nossos concorrentes. Não sei números concretos, mas Benfica e FC Porto deverão estar bem acima de um milhão de euros e a Oliveirense anda pelos 300 mil.

Perante esses dados, como é que a Oliveirense consegue ser uma equipa vencedora?
Fazer um plantel nem sempre é ir buscar melhores jogadores, mas sim fazer com que a equipa seja mais importante do que cada um deles. Toda a gente fala do Thomas De Thaey, mas ele estava jogar na III Divisão francesa. Não tínhamos capacidade financeira e tentámos ir buscar um jogador que reunisse as características do Arnette Hallman e do Quintrell Thomas, jogadores que não conseguimos manter, tendo um ido para o Benfica e o outro para Israel. Fomos buscar o Thomas De Thaey dentro do dinheiro que tínhamos.

Mas nem o Thomas De Thaey considera a estrela da equipa?

Não, não temos nenhum jogador que seja a estrela da equipa, nem o Thomas. A nossa forma de olhar para o basquetebol é coletiva, não temos o tipo de jogador que resolve. Ele teve dificuldades iniciais, nunca tinha sido importante nas equipas onde jogou, mas havia a noção de que aqui podia ser importante.

Esta equipa é mais forte do que a do ano passado?

É diferente. O Arnette Hallman e o Quintrell Thomas eram muito importantes, tal como o João Abreu. Sabíamos que o FC Porto ia dispensar o André Bessa, um jogador humilde, de quem gostamos, importante para o lugar do João Abreu. Fomos buscar também o Marko Loncovic. No ano passado, era uma equipa muitíssimo forte, esta é diferente. Não consigo dizer qual é mais forte.

E o Benfica e o FC Porto estão mais fortes?

O Benfica e o FC Porto estão muito mais fortes do que no ano passado. O Benfica tem três estrangeiros que jogaram na Liga ACB e têm experiência de Euroliga, tem realmente um plantel muito bom, e o FC Porto também está mais forte. Não vai ser fácil.
Diz que não vai ser fácil, mas para os seus adversários é que não tem sido fácil...
Eu percebo, mas, para ganhar, a nossa equipa tem de lutar até à exaustão. Fazemos da defesa a nossa grande arma, não temos o talento ofensivo das outras equipas. Cada jogo do campeonato é uma final e sabemos que se houver um dia em que, não estivermos ao nosso melhor nível, podemos perder e isto não é só contra o Benfica ou FC Porto.

Como explica o caso do FC Porto, frente ao qual a Oliveirense vai em onze vitórias consecutivas?
Devo dizer que muitos desses onze jogos podíamos ter perdido.

Mas não perdeu...

Mentalmente, a nossa equipa é bastante forte nos momentos mais difíceis e nunca deixamos de lutar. De facto, quem olha para esse registo, até pensa que é fácil. Mas, sinceramente, quando as equipas estão a aquecer e eu estou lá sentado no banco, nunca sei quem vai ganhar. Acredito nos jogadores e na equipa, mas estamos a falar de excelentes treinadores, equipas muito bem preparadas e, para nós, ganharmos tem de ser sempre em superação

Na próxima jornada, volta a ter um jogo difícil...

Mais um jogo muito importante, uma equipa muito boa, que terá sido surpreendida nesta final da Taça Hugo dos Santos, mas o que é certo é que, no jogo da primeira volta, tivemos muitas dificuldades, ao intervalo perdíamos por 17 pontos...
Como chegou, no jogo com o Benfica, ao primeiro período a vencer por 21?
Nós jogamos contra o FC Porto e estávamos mais desgastados do que eles e a ideia era entrar ao mais elevado ritmo, para, conseguindo uma boa vantagem, tentar gerir. O plano de jogo correu bem, mas não estávamos à espera daquela diferença.

"A Europa deve ser o passo seguinte"

"Abdicámos de ir à Europa porque isso custava metade do nosso orçamento. Era muito complicado, a Oliveirense ainda não tem essa capacidade", explica Norberto Alves, continuando: "Além disso, três dos nossos jogadores não são profissionais e não podíamos jogar competições europeias com nove atletas. Repare, o Rui França e o Renato Azevedo trabalham e o Francisco Albergaria é estudante." No entanto, o cenário deverá mudar. "Acreditamos que a Europa deve ser o passo seguinte. Se, por mérito, conseguirmos esse direito, tentaremos arranjar os meios necessários para jogar na Europa", diz o treinador.