"Há um clima de guerrilha no basquetebol"

"Há um clima de guerrilha no basquetebol"

Fernando Rocha, prestigiado árbitro português, lamenta o estado atual da modalidade em Portugal.

O prestigiado árbitro português Fernando Rocha, que integra o top-20 dos melhores juízes europeus de basquetebol, manifestou à agência Lusa o seu descontentamento contra o "clima de guerrilha" existente entre a federação e os árbitros. "Tenho 45 anos e apito desde os 16, mas nunca vi um ambiente assim na modalidade. A federação, os árbitros e os clubes, todos têm de assumir as suas responsabilidades pelo estado atual do basquetebol. E não fazer dos árbitros os principais maus da fita", frisou o juiz internacional portuense.

Para Fernando Rocha, árbitro que esteve presente nas últimas fases finais dos Campeonatos da Europa e do Mundo, "há mais de uma década que os juízes são confrontados com situações de incumprimento, que começam nos clubes, os quais se atrasam nos pagamentos das despesas de arbitragem à federação".

"A federação, por seu turno, sem dinheiro em tesouraria, acaba por se atrasar no pagamento aos árbitros. É um efeito tipo bola de neve e isto não podia continuar assim. E quem sofre são sempre os mesmos", adiantou o juiz luso.

Fernando Rocha vincou que os juízes estão abertos à resolução do problema das dívidas globais, "que vão bastante além dos 137 mil euros, a verba que foi tornada pública". Isto porque, "quando todos os valores forem declarados pelos juízes, se calhar atinge os 270 mil euros".

"A federação já liquidou uma verba de 45 mil euros referente ao mês de abril, mas o problema principal não é o que está para trás. É que não temos quaisquer garantias de como vão ser pagas as mensalidades no futuro. Ainda por cima, fomos confrontados pela federação com a diminuição do valor dos prémios de jogo para esta época", disse ainda Rocha.