Taça dos Clubes Campeões Europeus de pista pode ter os dias contados

Taça dos Clubes Campeões Europeus de pista pode ter os dias contados
Frederico Bártolo/Liliana Manhente

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A Associação Europeia de Atletismo utilizou a necessidade de reduzir o calendário em ano olímpico para cancelar a próxima edição da prova, que tem sido acarinhada pelos clubes portugueses

A edição do passado mês de maio, em Castellón, Espanha, que teve o Sporting no segundo lugar em femininos e o Benfica no terceiro em masculinos, poderá ter sido a última da Taça dos Clubes Campeões Europeus de pista, competição que há muitos anos vinha a entusiasmar os dois clubes nacionais. Em 2020 não se realizará e nos anos seguintes poderá ter moldes diferentes.

Realizando-se entre o final de maio e o início de junho, o Europeu de Clubes do próximo ano foi visto pela Associação Europeia como uma sobrecarga para os atletas, que em março (de 13 a 15) terão o Mundial de pista coberta, em Nanjing (China), em julho os Jogos Olímpicos, em Tóquio, e em agosto o campeonato da Europa, em Paris.

A suspensão em 2020 pode, no entanto, ser um passo para terminar com uma prova criada em 1975 e que já conta 39 edições, mas que tem sido marcada pela dificuldade em encontrar organizadores - Vila Real de Santo António foi a "sede" de seis edições quase seguidas (entre 2008 a 2014) -, não se tendo realizado em 2017. A nível de clubes, e depois de um longo período de domínio do Luch Moscovo, portugueses, espanhóis e turcos têm apostado forte e o Sporting já conta três títulos, entre 11 pódios (seis masculinos e cinco femininos), tendo o Benfica quatro pódios desde 2014. À Taça dos Campeões não tem faltado participação, ao ponto de existirem duas divisões, a principal com oito equipas e a segunda com dez, embora se trate de um campeonato que obriga a ter atletas para 20 provas em cada sexo. A Associação Europeia, no entanto, pretende uma competição mais concentrada e equaciona parti-la por sectores, organizando Europeus para lançamentos, saltos e corridas. Uma ideia de êxito duvidoso.

O Sporting, campeão europeu em femininos em 2016 e 2018, não está agradado com, para já, o cancelamento em 2020, mas Carlos Silva é contido nos comentários. "Tira sempre alguma visibilidade aos clubes; não é positivo para a dinâmica", diz apenas, apontando já à discussão do título no "corta-mato europeu, que será a 7 de fevereiro".