Porto acolhe exposição dos 100 anos da Federação Portuguesa de Atletismo

Porto acolhe exposição dos 100 anos da Federação Portuguesa de Atletismo
Redação com Lusa

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Exposição permanecerá até fevereiro e oferece uma "viagem, através de fotos, réplicas, objetos e artigos, que preserva da única modalidade em Portugal que produziu campeões olímpicos"

A exposição Centenário da Federação Portuguesa de Atletismo chegou, esta quinta-feira, ao Porto, cidade que é a segunda maior do país e, todavia, não tem uma pista própria para a prática da modalidade.

O presidente da Federação, Jorge Vieira, que esteve presente na inauguração da exposição, no Espaço Atmosfera, chamou atenção para aquele facto perante uma fotografia do antigo Estádio do Lima, no Porto, que foi inaugurado com aquela que foi a primeira pista de atletismo do país.

Jorge Vieira observou que a cidade, hoje, não tem uma pista e lembrou que a do atual estádio do Inatel deixou de reunir condições para receber provas porque o campo de futebol tem um relvado sintético, o qual não serve para os lançamentos.

A exposição permanecerá naquele espaço até 04 de fevereiro e oferece uma "viagem, através de fotos, réplicas, objetos e artigos, que preserva da única modalidade em Portugal que produziu campeões olímpicos".

Carlos Lopes, Rosa Mota, que esteve presente na inauguração desta exposição federativa, Fernanda Ribeiro, Nelson Évora e Pedro Pichardo têm ali, por esse motivo, lugar destacado.

Os dois primeiros alcançaram o ouro olímpico nas maratonas dos Jogos de Los Angeles (1984) e Seul (1988), Fernanda Ribeiro venceu os 10 mil metros em Atlanta (1996) e Nelson Évora e Pedro Pichardo sagraram-se campeões do triplo salto em Pequim (2008) e Tóquio (2020), respetivamente.

A mostra começa com registos de "provas de pedestrianismo e de velocidade", antes ainda da Federação ter sido criada, detém-se na primeira participação olímpica portuguesa, em 1912, nos Jogos de Estocolmo, e inclui materiais ligados ao atletismo e calçado e vestuário usado por alguns grandes atletas.

Duas das principais curiosidades são a sapatilha que Nelson Évora usou quando foi campeão olímpico e a camisola e dorsal que Pedro Pichardo envergou aquando da conquista do seu título olímpico.

A entrada para a sala onde foi montada a exposição tem uma tábua de chamada e um corredor com os mesmos 17,98 metros que Pichardo saltou em Tóquio rumo ao ouro, seguindo-se uma fasquia colocada a 2,28 metros de altura, marca que é recorde nacional da especialidade, de Paulo Conceição.

As medalhas olímpicas de Francis Obikwelu, António Leitão, Rui Silva e Patrícia Mamona também são ali evocadas, bem como os títulos mundiais de Manuel machada e Carla Sacramento e "os medalhados mundiais" João Vieira, Domingos Castro, Carlos Calado e Susana Feitor.

"Estes são o topo das cerca de 800 medalhas já alcançadas em todas as grandes competições, com destaque para os 15 títulos europeus (a somar, às 13 medalhas de prata e oito de bronze) e para os títulos mundiais e europeus de corta-mato, estrada, montanha e desporto adaptado", assinala a Federação.

Fundada em 05 de novembro de 1921, a Federação Portuguesa de Atletismo reúne hoje 22 associações regionais e distritais, 637 clubes e 32 mil atletas filiados, dos quais "cerca de 20 mil são federados", segundo disse a agência Lusa o seu presidente, Jorge Vieira.

Instado a identificar carências internas da modalidade, o dirigente apontou a falta de recintos devidamente equipados para acolher provas. "Contam-se pelos dedos de uma mão as escolas que têm condições mínimas para a prática de atletismo", exemplificou.