Corrida de alto mar rumou a bom porto

Corrida de alto mar rumou a bom porto

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Bruno Rodrigues

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A Corrida do Porto de Leixões tem características únicas no país: desenrola-se dentro de um porto de mar. Embarcamos no pelotão para saber o que era correr com navios, gruas e contentores como pano de fundo.

Gruas em vez de árvores, contentores a fazer de muros, navios a substituir os carros e um premiado terminal de passageiros no lugar de um pavilhão gimnodesportivo. É este o admirável mundo novo que emerge aos olhos dos cerca de 1500 marujos do pelotão que embarcou no passado domingo na quinta edição da Corrida do Porto de Leixões, em Matosinhos.

"Uma corrida sem igual" publicita a organização, apontando para as características únicas de uma corrida de atletismo que assenta pé pelas entranhas de um porto de mar. O intuito tem a ver com os festejos do "Dia do Porto de Leixões" e cujo programa de festas estreia-se precisamente com este evento. É uma oportunidade de única de entrar num mundo habitualmente fechado como é o caso deste que é o segundo maior porto artificial do país, depois do de Sines.

Corrida travou os navios

Achar um percurso de dez quilómetros foi um pouco mais complexo do que o senso comum poderia prever, como conta o organizador Carlos Ferreira, responsável da EventSport, a empresa organizadora: "Tive de desenhar antecipadamente três possíveis percursos tendo em conta de que no dia da prova poderia haver alguma operação no porto que não poderia ser adiada. O plano original incluía, por exemplo, uma passagem pelo terminal de contentores norte, mas não pudemos ir lá desta vez. Também garantimos com a administração da APDL de que a ponte móvel de Leça não iria abrir, o que mexeu com a programação da entrada dos barcos no cais, por exemplo. Organizar uma corrida neste ambiente também é um desafio diferente, principalmente ao nível da segurança. Dou-lhe um exemplo: tivemos de investir cerca de seis a sete quilómetros de fita sinalizadora para balizar muito bem o percurso de modo a não qualquer possibilidade de engano", explicou o organizador.

Alheios a todos estes pormenores deste mundo novo, os atletas puderam gozar uma singular vista e ambiente, para além dos dois percursos - de dez e cinco quilómetros da corrida e caminhada, respetivamente - invulgarmente planos com a curta exceção que incluiu uma subida ao tabuleiro da ponte móvel, na travessia para Leça da Palmeira.

No final da prova, a componente turística foi reforçada ainda com a possibilidade de fazer uma visita ao premiado Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões. Infraestrutura que só abre ao público gratuitamente duas vezes por ano: no dia da corrida e no dia que assinala o Dia do Porto de Leixões, no próximo sábado (15 de setembro).

Os lobos do mar menos interessados na componente lúdica foram os vencedores Hugo Santos (AD Jardim da Serra) e Marisa Barros (Salgueiros) que levaram para casa um tesouro nada despiciendo: um cheque de 300 euros para cada um.

No final não houve rum, mas houve cerveja a rodos. Ahoy!

Classificações (10 km)

Masculinos

Pos. Atleta (clube) Tempo

1.º Hugo Santos (ACDSJS) 00:32:02

2.º Vítor Oliveira (Maia AC) 00:32:03

3.º Jorge Santa Cruz (SC Braga) 00:32:03

Femininos

1.ª Marisa Barros (SC Salgueiros) 00:35:37

2.ª Justyna Wojcik (ACDSJS) 00:37:35

3.ª Andreia Cunha (individual) 00:37:59

Nota: 1504 atletas na meta e 2700 inscritos entre a corrida e a caminhada.