
Créditos: Pedro Granadeiro
ENTREVISTA, PARTE I - A dias de começar o Mundial de futsal, no Uzbequistão, Zicky Té garante que, apesar de Portugal ser visto como favorito, os atletas não levam esse rótulo em consideração
Ainda jovem, Zicky Té já é uma referência no futsal nacional e recusa pensar em qualquer tipo de relaxamento. Mesmo nas férias procura manter-se focado.
“Não sei o que se passa na cabeça dos adversários, mas estamos, claramente, no patamar mais alto do futsal”
Portugal vai defrontar Panamá, Tajiquistão e Marrocos. Que dificuldades espera?
-Estamos num ponto em que olhamos mais para Portugal, para aquilo que podemos fazer. Os adversários são diferentes, têm características diferentes, e nós temos de olhar neste momento para o que somos capazes de fazer. Sempre que conseguirmos meter o nosso jogo em prática, estaremos mais perto de conseguir a vitória. Não sei o que se passa na cabeça dos adversários, mas estamos, claramente, no patamar mais alto do futsal e sabemos que, a este nível, temos de estar sempre desconfiados de tudo.
“Favoritismo? Para quem está de fora, pode ser; afinal de contas, somos campeões do Mundo e da Europa”
Mas Portugal parte como favorito para o Mundial?
-Para quem está de fora pode ser. Afinal de contas, somos campeões do Mundo e da Europa. Mas, isso passa-nos um bocado ao lado, porque estamos conscientes de que temos de trabalhar muito para conseguir os nossos objetivos. O favoritismo é só mesmo fora de campo, porque pensamos jogo a jogo; só assim conseguiremos atingir coisas grandes. Temos de pensar no presente. O que aconteceu foi muito bom, mas o presente é o mais importante. O que vamos fazer nos jogos e treinos é o mais importante neste momento.
Teve mais uma boa temporada . Sente-se confiante para o Mundial?
-Sim! Tenho estado em boa forma e espero ajudar a Seleção da melhor forma. O selecionador e toda a equipa técnica também são muito exigentes, e é assim que deve ser quando se trabalha a este nível.
É muito exigente consigo?
-Sim, tem de ser. Para manter neste nível, tem de ser. Caso contrário, relaxamos e perdemos o andar da carruagem. Pensar em relaxamento, para mim, é totalmente proibido. Mesmo no verão, na altura das férias, desligo mas mantenho sempre a concentração e penso na competição, porque sei que, depois, vamos voltar e, quanto melhor estiver, mais fácil vai ser o regresso.
Recebe muitos conselhos dos companheiros de equipa?
- Tenho recebido muito feedback para ter um bocado mais de calma. Estamos na pré-época, não tenho começado da forma que gostaria, e então irrito-me, porque quero tanto fazer as coisas bem. Quando não saem bem... Eles pedem-me para ter calma, que faz parte.
Antes dos jogos, o ritual repete-se: Zicky Té olha para a tatuagem que tem com o nome da mãe, que lhe dá força para enfrentar os desafios
“Não faço promessas, não gosto. Gosto é de ter sonhos e de trabalhar muito para os conseguir concretizar”
Tem algum ritual antes e entrar nos jogos?
- Sim. Vejo sempre a tatuagem que tenho com o nome da minha mãe, porque ela está sempre comigo e tento sempre recordar isso quando entro em campo. Não jogo sozinho, jogo sempre com ela e com o resto da minha família. Não faço promessas, não gosto. Gosto de ter sonhos e de trabalhar para os realizar. Se ganharmos o Mundial será um dos dias mais felizes da minha vida.
Há algum conselho que tenha guardado?
- Sim, do meu primo Domingos. Ele dizia para não pensar se jogam mais ou melhor do que eu. Dizia que cada atleta tem as próprias características e pode fazer a diferença. Na defesa, ele era muito chato. Ninguém podia passar por ele, e eu até hoje tenho essa guerra comigo. Quando alguém passa por mim, fico doido. Não gosto muito de defender, gosto mais de atacar e gosto sempre de dar tudo em campo, seja em que jogo for. Não gosto nada de perder.
“A minha irmã mais nova é a pessoa que mais me acalma”
Zicky Té destacou a importância da família no percurso profissional e admite que é a irmã mais nova, de 11 anos, quem mais o consegue acalmar. “Ela não tem a noção das coisas. Às vezes, fico triste quando perco, ou fico chateado porque as coisas não me correram muito bem, e ela tem uma leveza a falar das coisas... Porque não tem ainda a noção e, mesmo quando tiver, também espero que continue com essa leveza para continuar a acalmar-me [sorri]. Fala das coisas com uma naturalidade; depois chego à conclusão que há coisas em que não vale a pena pensar”, partilhou.”

