
Ana Catarina Monteiro tem treinado em solidão total
Ivan Del Val / Global Imagens
Olímpicos portugueses mantêm motivação e tentam treinar, em solidão total, acreditando que os Jogos se irão realizar este ano
Haverá Jogos? O dilema paira, mas "enquanto há vida há esperança", dispara Fábio Pereira, treinador de Ana Catarina Monteiro, já apurada para Tóquio"2020 nos 200 metros mariposa. Uma licença especial e extremas cautelas com limpeza permite-lhes serem os únicos frequentadores da Piscina de Vila do Conde, onde treinam duas vezes por dia, em total isolamento.
"Temos de nos reinventar todos os dias, arranjar motivação, formas diferentes de treinar e acreditar que Tóquio vai acontecer. Ontem, por exemplo, treinamos de fato completo. Amanhã invento outra coisa", diz o técnico.
Idêntico plano segue Angélica André, do Fluvial Portuense. A pupila de Rui Borges é a única a ter permissão para entrar na piscina de Lordelo: "É estranhíssimo treinar nesta solidão, neste silêncio", refere o antigo olímpico, que prepara Angélica para as águas abertas sem perder o humor: "Se tivermos de entrar de quarentena, montamos uma tenda aqui dentro e já temos onde ficar ".
Em Braga, Tamila Holub (apurada nos 800 livres) e o seu colega José Lopes (a centésimos dos mínimos) tiveram sorte diferente. "Ainda conseguimos treinar uns dias esta semana, em total isolamento. Mas depois veio a ordem da direção, e toda a atividade foi suspensa. Temos de aceitar", diz o técnico Luís Cameira.
Em Lisboa, e apesar de "a federação, em conjunto com o IPDJ, ter garantido o Jamor para os olímpicos treinarem", como refere António Silva, presidente da Federação Portuguesa de Natação, a verdade é que nenhum o faz.
O Benfica proibiu a já apurada Diana Durães, assim como Miguel Nascimento e Victoria Kaminskaya (a centésimos do mínimo) de entrarem na água, o que está a ser cumprido desde sexta-feira. "É frustrante mas temos de acatar" refere João Santos, responsável pela natação encarnada.
Alexis Santos está num "estádio" diferente. "Até sexta-feira treinámos, mas agora decidimos parar. Isto está tudo a mudar, hora a hora, e decidimos refletir durante o fim de semana e depois tomar uma decisão" referiu o experiente Carlos Cruchinho, responsável há anos pelo excecional trabalho na natação do Sporting.
Muito realista, o treinador leonino dispara: "No caso do Alexis, que tem uma enorme reserva de treino, a paragem de uma semana, até um pouco mais, é recuperável. A partir daí, temos de ser realistas. Neste momento prefiro viver um cenário bom, não pensar no mal e acreditar que ainda vamos a Tóquio".
"Sem os Jogos não há mais época"
"A época terminou", diz António José Silva, presidente da FPN, explicando: "Só a possibilidade de haver Jogos Olímpicos pode salvar um pouco dela. O resto perdeu-se tudo, só para o ano. Adiamos todas as competições e nem vale a pena pensar o contrário".
Como o apuramento para Tóquio"2020 ainda não encerrou, isso gera incógnitas. "Para já temos cinco apurados. Admito perfeitamente, caso venham a existir condições de eles se realizarem, que se façam provas especiais de apuramento ou até levar alguns atletas com wild-card, aqueles que estão muito perto de conseguir o mínimo".
