
Rui Silva, construtor de jogo no ataque português, marca à Dinamarca um dos 25 golos lusos em contra-ataque
AFP
Estudo estatístico caracterizou virtudes e defeitos da Seleção no Europeu mais ofensivo da história. Nunca se marcaram tantos golos, com destaque para os ataques de Dinamarca, França e Portugal, todos com armas diferentes. Os campeões foram recordistas na eficácia, os gauleses na velocidade.
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O melhor ataque valeu o título no Campeonato da Europa de 2026, que terminou domingo em Herning, concluiu a Federação Europeia de Andebol (EHF), com base nos estudos estatísticos de Julian Roux. A Dinamarca, com 306 golos em nove jogos, teve uma eficácia recorde de remate, com 71,7% e muito semelhante à dos seus dois goleadores, Mathias Gidsel (68 golos, recorde num Europeu, com 71,6% de acerto) e Simon Pytlick (64, com 71,1%). Mas o estudo, utilizando o número de golos a cada 50 posses de bola, também anota que, na média de golos por jogo, os campeões ficaram atrás de duas equipas, as melhores de sempre na prova: França (38,1 por jogo) e Portugal (34,2).
Herning provou o que o selecionador Paulo Jorge Pereira dissera antes do primeiro jogo - "Somos do melhor que há no mundo em termos ofensivos" -, até nas armas a utilizar, a "relação da primeira linha com os pivôs e o um contra um dos Costinhas". Os dois irmãos destacaram-se, Kiko com 61 golos (terceiro marcador) e Martim com 44, mas também os pivôs Luís Frade (35) e Victor Iturriza (21), todos servidos pelo central Rui Silva, quarto do Europeu nas assistências (37) e quinto no número de passes, com 1230 e só falhando três, uma eficácia nunca vista.
O que provavelmente excedeu as expectativas foi Portugal exibir um dos melhores ataques na história dos Europeus - e naquele que teve o recorde de 31,1 golos por jogo -, a meio termo entre a eficácia dinamarquesa e a velocidade dos franceses, que atingiram inéditas 61,6 posses de bola por jogo, mais dez do que os campeões. Onde os Heróis do Mar terão pecado foi na defesa, pelos números considerada a segunda pior das equipas que chegaram ao main round, embora aqui a estatística não diga tudo.
A equipa portuguesa teve um bloco central sólido e contou com o eleito melhor defensor do campeonato, Salvador Salvador, só falhando em dois aspetos: os 73 turnovers (quarta pior seleção) e o 11.º lugar no número de defesas dos guarda-redes, 72 no total, com uma eficácia de 22%. Gustavo Capdeville não atingiu os valores do último Mundial (29,5%) e notou-se a falta do lesionado Diogo Rêma (27,7% no Mundial). O problema, pode concluir-se, tem solução à vista.


