Portuguesa Mery Andrade no All-Star Game da NBA: "Orgulho em estar na equipa Mundo"

Mery Andrade
Mery Andrade, adjunta de Toronto na NBA, vai estar no banco no All-Star Game no domingo e falou a O JOGO da sua escolha. Antiga internacional prepara-se para viver um momento ímpar em Los Angeles, encarando-o como o reconhecimento do trabalho desenvolvido pelo staff dos Raptors nos últimos três anos.
Tão pioneira como quando se tornou na segunda portuguesa a entrar na WNBA (1998) ou apenas a quinta mulher a chegar a adjunta de uma equipa na NBA (2023), Mery Andrade (50 anos) vai fazer história para Portugal na noite de domingo para segunda-feira, quando se sentar no banco para ajudar a orientar a Equipa Mundo no All-Star Game da NBA.
No Intuit Dome de Los Angeles, casa dos Clippers, a presença inédita acontece na sequência da nomeação do sérvio Darko Rajakovic, treinador dos Toronto Raptors, a equipa com melhor rendimento entre as treinadas por não americanos e que a portuguesa representa há quase três anos. "Há um mês e meio começou-se a falar sobre isso, não se sabia bem quem seriam os treinadores. Depois ouviu-se que era giro se fossem estrangeiros, mas eram ideias mandadas para o ar, como se diz em português. Ao fim ao cabo, também era a equipa que estava a ter melhores resultados. Na semana passada, foi-nos comunicado que seríamos nós. Foi uma surpresa e uma satisfação enorme. É um evento mundialmente reconhecido", reage a O JOGO.
Em anos anteriores, a antiga internacional acompanhou ao vivo duas edições, em Cleveland (2022) e Utah (2023) - "Estava um frio de rachar em ambas", recorda -, encarando a chamada deste ano como o reconhecimento do trabalho das últimas três temporadas, pois a equipa canadiana também se vai fazer representar por Scottie Barnes e Brandon Ingram no Jogo das Estrelas, mais Collin Murray-Boyles e Alijah Martin (este G-League) no Rising Stars.
O evento principal da 75.ª edição vai ter a novidade de estrear um novo formato, a opor os Estados Unidos (duas equipas) contra o Mundo (uma), o que para Mery Andrade faz sentido. "A NBA procura que os jogos sejam competitivos - fã que é fã gosta de ver competição - e tem muito bom feeling para saber qual é a próxima coisa que vai aumentar o interesse dos adeptos pelo jogo e a qualidade do produto. Há uma boa percentagem de jogadores que são estrangeiros, entre Canadá, Europa e Ásia. E, nos últimos seis ou sete anos, os melhores do mundo foram estrangeiros. Por que não criar uma equipa?", concorda, descrevendo-se "em pulgas para ver". "Sou do outro lado do oceano. Tenho muito orgulho em representar a equipa Mundo", finaliza.

"Um All-Star para Neemias Queta não é impossível"
À semelhança de Mery Andrade, o gigante Neemias Queta tem dado passos nunca vistos no basquetebol português e jogar um All-Star poderá ser uma proeza a alcançar. Este ano, o português de Boston recebeu mais de 71 mil votos, sendo o 33.º de Este. "Um All-Star para ele não é impossível. Se continuar a crescer como nos últimos dois anos, não vejo porque não", defende Mery, que tem sido abordada por causa do compatriota. "Às vezes, quando ele tem bons jogos, treinadores mandam-me mensagens a dizer: 'Your boy, your boy' [O teu rapaz]. Na brincadeira, respondo sempre: 'Sim, vocês estavam a dormir, não o foram buscar, agora olha'. Ele está no caminho certo, o que ele pode fazer é continuar a trabalhar, a criar um nome de respeito e qualidade, depois o senhor Deus há-de meter o que ele merece no caminho", confia.

Regresso ao play-off na mira
Volvidos três anos, Mery Andrade ainda se sente a viver "um sonho", sobretudo estando a equipa "a colher os frutos semeados no primeiro ano". "Na época passada, quase íamos ao play-in. Agora estamos a apontar mais para cima, entrar mesmo diretamente no play-off", estabelece a adjunta dos Raptors, quintos da Conferência Este, com 32 vitórias e 23 derrotas.
Época é uma roda-viva
Numa época com 82 jornadas, o ritmo de trabalho é intenso, sobretudo devido às viagens. "Temos o nosso avião particular, porque acaba um jogo e voltamos logo, se pudermos. A prioridade é sempre dormir em casa, mas nunca vamos para a cama antes das duas ou três da manhã. Às vezes, perco a noção do dia da semana ou do mês em que estamos. São jogos atrás de jogos", descreve.

