
COP e FDI PORTUGAL
Pedro Flávio, chefe da Missão portuguesa aos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina"2026, antecipou a O JOGO a participação dos três lusos. Portugal nunca teve tradição nem mais de cinco atletas nestes Jogos (Calgary"1988), um panorama que os responsáveis esperam mudar com a edificação do Pavilhão de Desportos de Inverno.
A contagem decrescente para os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina'2026 está prestes a terminar, pois na sexta-feira é o dia da Cerimónia de Abertura, no Estádio Giuseppe Meazza, em Milão. Portugal vai ter a décima presença da história, sexta consecutiva. Como em Pequim'2022, a Missão lusa é composta por três atletas - os irmãos Emeric Guerillot e Vanina Guerillot (esqui alpino) e José Cabeça (esqui de fundo), os dois últimos repetentes -, sobre os quais recairá a tarefa de fazer melhor do que há quatro anos (classificações de 37.º a 88.º). Pedro Flávio, chefe de Missão e presidente da Federação Portuguesa de Desportos de Inverno desde 2022, acredita que é possível, projetando ainda o futuro em entrevista a O JOGO.
O que se poderá considerar uma boa participação de Portugal em Milão-Cortina?
-Uma boa participação passa, naturalmente, por superar os resultados alcançados em Pequim'2022. Trata-se de objetivos realistas, tendo em conta o percurso desportivo, a evolução recente e os resultados obtidos pelos três atletas que compõem a Missão.
A Missão Portuguesa é composta por três atletas, tal como em Pequim'2022. Que será necessário para aumentar esse número?
-A Jéssica Rodrigues esteve muito perto da qualificação, mas o trabalho de desenvolvimento foi também feito em outras modalidades, como o bobsleigh e a patinagem artística no gelo. Temos a convicção de que, em 2030, o número de atletas qualificados irá aumentar. É o caminho que estamos a trilhar, com uma estratégia bem definida e um forte foco no apoio aos atletas.
O Pavilhão de Desportos de Inverno a ser construído no Seixal mudará o panorama das modalidades de gelo em Portugal?
-Sem dúvida. A construção do Pavilhão de Desportos de Inverno no Seixal terá um impacto potencialmente transformador no desenvolvimento das modalidades de gelo em Portugal. Esta pista, com dimensões olímpicas, reunirá todas as condições para a prática e evolução do hóquei no gelo, da patinagem de velocidade (incluindo short track), da patinagem artística, do curling, entre outras. Permitirá não só a realização de treinos regulares e programas de formação em território nacional, como também o acolhimento de estágios de seleções estrangeiras e a organização de competições internacionais.
Qual é o ponto de situação do projeto?
-O contrato de cedência do direito de superfície do terreno já se encontra assinado com o município, estando o projeto atualmente na fase de licenciamento.

"Ausência de Jéssica Rodrigues é, sem dúvida, uma pena"
Portugal esteve até ao último instante perto de bater os três atletas presentes em Pequim'2022, mas Jéssica Rodrigues, campeã do mundo júnior de patinagem de velocidade há um ano, ficou à porta. "Foi, sem dúvida, uma pena, pela expectativa que existia. Esteve muito perto da qualificação, terminando dentro das 24 qualificadas no ranking da Mass Start após as quatro etapas da Taça do Mundo. Faltou-lhe apenas alcançar o tempo mínimo olímpico numa das distâncias, objetivo que ficou muito próximo", recordou Flávio, enaltecendo o "percurso notável" da madeirense. "A sua presença nos Jogos teria sido histórica e com um enorme impacto. Ainda assim, ela é muito jovem, apresenta um elevado potencial de evolução e estou convicto de que estará presente nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2030", sentenciou.

"Preparação foi da Noruega aos Alpes franceses"
Na reta final da preparação, o trio português andou naturalmente em destinos de neve. "O José Cabeça treina e compete regularmente na Noruega. A sua permanência nos países nórdicos tem sido fundamental. A Vanina Guerillot realizou a fase final de treinos e competições maioritariamente nos Alpes franceses. Já o Emeric Guerillot realizou a sua preparação nos circuitos júnior e em competições FIS na Europa, com presença na prova de Super-G, algo que não acontecia para Portugal desde Lillehammer'1994", detalhou Pedro Flávio.
Há otimismo para 2030
Na antecâmara de Milão-Cortina, já se pensa em 2030, havendo duas atletas com bolsa de esperanças olímpicas. "Existem perspetivas claras de que o número aumente. O Emeric também tem bastante margem de progressão e outras promessas poderão permitir a estreia ou consolidação de modalidades como o snowboard e a patinagem artística no gelo", assegura Pedro Flávio.
Portugal nos Paralímpicos
Logo a seguir aos Jogos Olímpicos, Milão-Cortina acolhe os Jogos Paralímpicos, a realizar entre os dias 6 e 15 de março. Portugal poderá ter "uma estreia histórica", com um atleta na modalidade de snowboard, o que para Pedro Flávio é fruto do "trabalho estruturado" da Federação de Desportos de Inverno, bem articulado com IPDJ, Comité Olímpico e Paralímpico.

