
Tony Dias/Global Imagens
Paulo Jorge Pereira, selecionador nacional, foi ontem, segunda-feira, alvo de uma homenagem por parte da última escola onde deu aulas, algo que o deixou agradecido e fê-lo pensar na... ingratidão.
Paulo Jorge Pereira, selecionador nacional de andebol, andou no tempo cerca de 20 anos. Recuou até 2000, ao deslocar-se à Escola EB 2/3 de Canedo, onde foi homenageado, passando o pavilhão a ter o nome do técnico que, enquanto professor, ali deu aulas durante sete anos . "Esta foi a escola que marcou a minha vida, porque foi onde eu decidi tornar-me profissional de andebol. Na altura, o ministério só me deu uma licença de longa duração e tive de aceitar a perda do lugar no quadro. Corajoso? Não sei se foi isso ou burrice minha, mas se não tivesse sido burro não tinha conquistado uma parte do sonho. Uma parte porque ainda faltam mais coisas", contou o selecionador a O JOGO.
"Senti muita amabilidade por parte das auxiliares de educação, dei abraços aos meus colegas professores, mas também aos auxiliares. Achei curiosíssimo o trabalho que tiveram e este tipo de homenagem faz-me pensar no quanto é importante as pessoas lembrarem-se umas das outras. Há muita gente que passa pela vida e nunca se lembra dos outros. Tirando a parte material, da tarja, com a minha foto, o que está por trás disto é um sentimento de agradecimento que rareia no nosso país", reconheceu Paulo Jorge Pereira, admitindo: "A mim e ao andebol, agora, tem-me acontecido um pouco, mas sei que isto é raro e, no entanto, é muito bonito. Foi um grupo de colegas a homenagear outro colega. Isto devia acontecer nas empresas, nas famílias, nos clubes, nos parlamentos... O reconhecimento, o ser-se grato, é tão bonito".
Ainda sobre a homenagem. Paulo contou uma história: "Conheci há dias um senhor, que só tem a quarta classe, mas está muito bem na vida. Contou-me ele que a mãe lhe ensinou três palavras fundamentais: "Desculpa, por favor e obrigado"".
