
Alejandro Valverde
AFP
Clássica monumento vai acolher, este sábado, a despedida de Nibali, um dos maiores voltistas da modalidade, e de Alejandro Valverde, ex-campeão mundial e recordista na Bélgica
A última clássica monumento da temporada, a Volta à Lombardia, vai acolher a despedida de dois ícones do ciclismo, que têm estado ao mais alto nível nos últimos 15 anos. Falamos de Vincenzo Nibali, corredor italiano da Astana, e Alejandro Valverde, espanhol da Movistar.
O transalpino é somente um dos maiores voltistas deste século e conseguiu a proeza de ganhar as três Grandes Voltas. É um dos sete magníficos que logrou vitórias no Giro, Tour e Vuelta, seguindo as pisadas de Eddy Merckx, Bernard Hinault, Jacques Anquetil, Felice Gimondi, ladeando Alberto Contador e Chris Froome nas conquistas já este século. Vincenzo Nibali é o grande corredor italiano dos últimos 20 anos, conseguiu devolver à pátria a ambição nas Grandes Voltas e em 2014 completou a tríade com uma das Voltas a França mais dominadoras, devolvendo a glória na Grande Boucle aos italianos, o que não se via desde Pantani em 1998. Mais, foi a maior vantagem pela camisola amarela (7m37s) deste século.
Conhecido pelos seus ataques cirúrgicos, mediu sempre as distâncias para os passos que dava nas Grandes Voltas. Na Liquigas, ganhou por 43 segundos a Vuelta de 2010, já antes de ser terceiro no Giro desse ano. Em Itália, viveu os maiores êxitos e em 2013 dominou finalmente o Giro, repetindo a façanha em 2016, já quando não era favorito máximo: aproveitou a queda de Kruijswijk é certo, mas voltou a ser estratega para vencer a camisola rosa com 53 segundos de avanço.
Nibali, porém, foi mais do que isso. Acabou com o fantasma de que os voltistas não ganham monumentos. Venceu duas Lombardias, em 2015 e 2017, e chocou o mundo ao vencer em São Remo, o palco dos homens rápidos que podem ser destronados com um ataque certo. E o Tubarão de Messina sempre foi capaz de tal feitos: a descer, poucos existirão à sua dimensão.
Falemos de Valverde, que continua regular e recentemente foi segundo na Tre Valli Varesine, sendo candidato a vencer a Lombardia. O Bala tem 42 anos e venceu a Vuelta de 2009, tem mais cinco pódios na corrida espanhola e ainda um terceiro lugar num Giro e num Tour. A sua ponta de velocidade era a especialidade, o contrarrelógio não, daí que a carreira se encaminhasse para outros voos: ganhou 133 vezes, provas de uma semana como a Catalunha, País Basco e Dauphiné, mas era nas clássicas que enchia o peito... e disparava! Além das duas Clássicas San Sebastián, Valverde foi rei e súbdito nas Ardenas: venceu cinco edições da Flèche Wallonne, é recordista no Mur d'Huy, e ficou só atrás de Merckx no mítico monumento para trepadores: na Liège venceu quatro vezes. A primeira ganha em 2006, a última em 2015, batendo na trave em mais quatro ocasiões.
A longevidade de Valverde não lhe retirou competitividade. Aos 38 anos, em 2018, cumpriu os desígnios de uma vida. Foi campeão do mundo em Innsbruck, na Áustria, o seu grande sonho e para o qual batalhou tanto que se tornou recordista em top-10 nos Mundiais, com 11 presenças nos dez melhores. Valverde foi, durante quase 20 anos, um dos bastiões do ciclismo espanhol e finda uma geração de ouro do país. Atrasou a reforma duas temporadas, mas é desta que vai arrumar a Bala no bolso para outros contarem as aventuras seguintes.
Este sábado há também o duelo principal entre Pogacar e Vingegaard, o reencontro entre o bicampeão do Tour que foi arremessado ao chão pelo dinamarquês da Jumbo. Mais um motivo para a Lombardia encerrar a época de estrada com enorme fulgor.
