Kitó Ferreira: um apuramento histórico, e uma mala "pequena com uma máquina de café"

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Nuno Abreu / Slideshow / Global Imagens
Treinador mostrou-se orgulhoso pelo histórico apuramento do Eléctrico para a Taça da Liga. Emigrante no último ano e meio, Kitó Ferreira diz ter uma "mala pequena com uma máquina de café".
A Taça da Liga de Futsal 2019, competição para a qual se qualificam os oito primeiros classificados da primeira volta do campeonato, vai ter um estreante: o Eléctrico clube que, de resto, está a cumprir a época de estreia na I Divisão. Kitó Ferreira entrou à quinta jornada no comando dos alentejanos, então para substituir José Feijão, e sublinhou a importância do feito para o clube. "É um grande momento. É um apuramento conquistado com muito mérito e deve ser referenciado o trabalho destes jogadores praticamente desconhecidos na Liga de Futsal", começou por dizer o treinador a O JOGO, repartindo os louros. "Há um grande trabalho da secção de futsal que é muito séria e honesta. Não posso deixar de salientar o apoio e carinho das gentes da cidade e da Câmara Municipal de Ponte de Sor", acrescentou.
Kitó Ferreira revelou que há um leque de cinco jogadores residentes em Lisboa que, por mês, fazem "seis mil quilómetros. "Estes jogadores são muito ambiciosos. Temos quatro jogadores do Brasil e cinco atletas que viajam todos os dias de Lisboa para Ponte de Sor, e vice-versa, fazendo seis mil quilómetros por mês", explicou.
No entanto, Kitó Ferreira quer o grupo não se deslumbre pois, lembra, o objetivo é a permanência. "Logo depois de termos ganho ao Modicus dei os parabéns aos jogadores mas disse que ainda não conquistámos nada. O nosso objetivo principal é a permanência. Depois disso, logo veremos...".
O técnico, 49 anos, deu nas vistas na Burinhosa ao levar a formação da aldeia de Pataias (Leiria) desde a III Divisão até à Liga de Futsal. O último ano e meio foi passado entre Itália, com experiências no Gymnastic Fondi e no Latina, e na Roménia, ao serviço do Imperial Wet. Kitó Ferreira guardou histórias para contar destas aventuras. "Em Itália, o Gymnastic fechou portas ao fim de cinco jogos e eu e quatro jogadores portugueses ficámos na rua sem comida e sem nada. Que vale é que a cidade de Fondi ajudou-nos", atira. "Depois, fui para o Latina. Pediram-me a permanência e nós chegámos ao play-off. Em Itália, experimentei o inferno e o paraíso. Na Roménia, ao fim de 15 dias perdemos um jogo num torneio internacional e na segunda-feira o presidente disse que ia cortar o salário aos jogadores. Nesse mesmo dia eu e os jogadores portugueses que lá estavam (éramos um grupo de nove pessoas), viemos emobra e atravessámos a Roménia com uma viagem de carro de cinco horas para chegar a Bucareste, apanhar o avião e voltar para casa", lembrou. A experiência romena foi tão marcante que o grupo até se vai reunir à mesma nas próximas semanas. "Aquele episódio ligou-nos para a vida. Agora no Natal vamo-nos juntar na Mealhada".
Natural de Leiria, Kitó Ferreira já residiu em Lisboa, quando orientou os Leões de Porto Salvo, foi emigrante e agora mora em Ponte de Sor. "Acostumei-me a ter uma mala pequena com uma máquina de café lá dentro que me acompanha para todo o lado", concluiu.
