João Almeida e Neemias Queta históricos até nos ganhos: os salários dos desportistas portugueses

João Almeida
AFP
Segredo é a alma do negócio na maioria das modalidades, mas o ciclista e o basquetebolista foram os primeiros a superar os dois milhões anuais. Diferença de rendimentos para os principais futebolistas nacionais continua a ser abismal, mas há finalmente atletas muito bem pagos nas modalidades e a tendência salarial é para crescer.
João Almeida, segundo na Volta a Espanha e vencedor de País Basco, Romandia e Suíça, é um dos atletas portugueses que melhor guarda o segredo sobre os seus rendimentos, que este ano podem ter atingido os três milhões de euros, acima de Neemias Queta, basquetebolista que tem o salário nos Boston Celtics bem explícito: ganha 2 349 578 dólares anuais, equivalentes a pouco mais de dois milhões de euros, reduzidos a 1,84 milhões após impostos. Ambos fizeram história tanto na competição como na conta bancária, pois nunca um atleta português fora do futebol recebera na casa dos dois milhões.
A tabela salarial que O JOGO lhe apresenta apenas possui números com rigor no caso do poste da NBA, dos tenistas e do golfe, estes desportos em que a maior fatia da remuneração dos portugueses é pública, por chegar dos prémios da competição. Nuno Borges faturou 1,53 milhões de dólares em singulares e 164 mil em pares na última época, podendo esses números ser arredondados para 1,5 milhões de euros com a soma de alguns patrocínios, o que lhe vale o terceiro posto da lista, embora os rendimentos de António Félix da Costa, colocado a seguir, estejam entre os mais bem guardados. Sabe-se apenas, dito pelo próprio num podcast, que a média entre os pilotos de Fórmula E estará no milhão de dólares anuais, valor que certamente suplantou estando ao serviço da Porsche e que irá aumentar em 2026, correndo nos elétricos pela Jaguar e no Mundial de Resistência pela Alpine.
Félix da Costa supera Miguel Oliveira, que no MotoGP estava fora da lista dos dez primeiros, e Filipe Albuquerque, um dos pilotos de ponta da resistência norte-americana (IMSA), outro dos campeonatos que não revela valores.
Se o topo da lista é um mistério, pois João Almeida, que nunca surgiu entre os dez ciclistas mundiais mais bem pagos - lista liderada pelos 8,3 milhões de Tadej Pogacar e a fechar nos 2,5 milhões de Carlos Rodriguez e Egan Bernal -, prefere fazer contratos com valores elevados para prémios de resultados (daí poder ter atingido os três milhões este ano) e ainda os inflacionou mais ao renovar com a UAE Emirates até 2028, entre os jogadores de andebol e voleibol também não é simples apurar rendimentos, até porque esses mercados, tal como no futebol, receberam um impulso com as ofertas do Médio Oriente.
Angel Hernández, andebolista que tem 11 internacionalizações por Portugal e em 2020 trocou o FC Porto por países árabes, é uma surpresa, mas vai na frente, com meio milhão anual pago pelos sauditas do Al-Ahli Jeddah, embora esteja aquém do contrato assinado em 2023 por André Gomes, quando trocou a Alemanha pelo Al-Safa a troco de 600 mil euros, acrescidos de 300 mil em prémios que não terá chegado a receber, devido a lesão. O bracarense está atualmente no Japão, sendo a estrela e o melhor marcador do Toyota Auto Body, o que lhe permite continuar bem cotado num grupo em que o mais laureado em campo, Luís Frade, três vezes vencedor da Liga dos Campeões pelo Barcelona, surge a fechar.

Cristiano Ronaldo muito à frente
Avançado do Al-Nassr lidera lista da Forbes há três anos. O salário de 207 milhões de euros do português criou uma nova dimensão entre os desportistas e nem a inflação dos proveitos publicitários do basquetebolista de Golden State o deixa perto.
A Forbes colocou Cristiano Ronaldo como o atleta mais bem pago do mundo pelo terceiro ano consecutivo, com os 253 milhões de euros anuais a deixarem os restantes cada vez mais longe, pois o golfista John Rahm, que em 2024 atingira os 218 milhões de dólares, ficou-se pela metade desses rendimentos, passando o segundo lugar a ser ocupado pelo basquetebolista Stephen Curry, a mais 100 milhões do futebolista do Al-Nassr, embora lhe seja considerado quase o dobro do madeirense em rendimentos de publicidade.
A tabela da publicação norte-americana tem apenas sete modalidades entre os 50 mais bem pagos - que totalizam um recorde de 360 mil milhões de euros -, nos quais há 16 jogadores da NBA, 13 de futebol americano e oito futebolistas (Ronaldo, Messi, Benzema, Mbappé, Neymar, Haaland, Vinicius Jr e Mané, por esta ordem), tendo desaparecido os tenistas, pois Carlos Alcaraz e Jannik Sinner não atingiram os 50 milhões, valor atribuído pela Forbes ao último.
Os pilotos Lewis Hamilton (68 milhões) e Max Verstappen (66 milhões) são 22.º e 23.º, respetivamente, longe dos lugares cimeiros há poucos anos ocupados pelas estrelas da Fórmula 1.
Coco e o "pobre" feminino
As 20 mulheres mais bem pagas do desporto totalizaram 250 milhões de euros em rendimentos durante 2025, um aumento de 13%, mas todas juntas ficaram aquém de Cristiano Ronaldo. Segundo a Forbes, a norte-americana Coco Gauff liderou, com 28 milhões de euros, 21 deles graças à publicidade, que lhe permitiu bater a bielorrussa Aryna Sabalenka (25,5 milhões) e a polaca Iga Swiatek (21), as duas primeiras do ranking mundial do ténis, modalidade que domina a lista. Eileen Gu, jovem chinesa que é estrela do esqui estilo livre, é uma exceção, com quase 20 milhões ganhos em patrocínios. São os rendimentos extra competição que marcam a diferença, até nos casos da basquetebolista Caitlin Clark (10 milhões) e da rainha das pistas no atletismo, a este ano bicampeã mundial Sydney McLaughlin-Levrone (18.ª, sete milhões).

