
Aryna Sabalenka e Nick Kyrgios
Instagram/Reprodução
Editores de vários jornais internacionais arrasaram a "Batalha dos Sexos" realizada no Dubai entre Nick Kyrgios e Aryna Sabalenka, em que o tenista australiano venceu a bielorrussa, líder do ranking WTA, em apenas 76 minutos
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Nick Kyrgios (671.º classificado no ranking ATP) venceu no domingo Aryna Sabalenka (líder mundial feminina) em dois sets (6-3, 6-3) no Dubai, numa reedição da "Batalha dos Sexos" de 1973 entre Billie Jean King e Bobby Riggs.
A norte-americana, agora com 55 anos e que triunfara num embate marcante para a afirmação do ténis feminino, foi uma das críticas desta reedição, mas esteve longe de ser a única.
Vários editores de jornais internacionais arrasaram a realização deste jogo, que durou apenas 76 minutos e teve algumas particularidades, como a redução do campo da bielorrussa em 9% e o facto de o australiano ter podido realizar apenas um serviço em vez de dois.
"Após dois meses de preparação controversa, este encontro foi apresentado ora como um piscar de olho aos misóginos de todo o mundo, ora como uma oportunidade de ouro para o ténis conquistar um novo público. No final, o evento cometeu o pecado capital de todos: foi aborrecido. Apressado, mal organizado e aborrecido. O que aprendemos na Coca-Cola Arena, no Dubai? Nada. O que sentimos? Nada. Um evento sem alma numa cidade sem alma, numa arena sem alma que tem o nome de uma bebida sem alma", resumiu Matthew Lambwell, editor do Daily Mail, rematando: "Se, em 2026, algumas pessoas a mais sintonizarem-se para verem Sabalenka num ambiente mais prestigiante, como num torneio do Grand Slam, então talvez a Batalha dos Sexos tenha sido mais do que uma simples e colossal perda de tempo".
"Foi sobretudo um jogo de ténis para quem só se interessa remotamente por este desporto", acrescentou o The Guardian, falando num duelo "a oscilar desajeitadamente entre exibição, golpe de marketing e verdadeiro circo" com base nas várias pausas verificadas no encontro para momentos como distribuição de bolas pelo público e apresentação dos ex-futebolistas brasileiros Kaká e Ronaldo Nazário, presentes nas bancadas.
"Foi algo muito distante do famoso encontro da Batalha dos Sexos entre Billie Jean King e Bobby Riggs, em 1973. É certo que Riggs tinha 55 anos e estava longe do auge. Mas o que estava em jogo era da maior importância. King temia que uma derrota fizesse o ténis feminino recuar cinquenta anos. Ainda assim, a cada pancada da sua raquete, desferia um golpe poderoso a favor da equidade, da igualdade e da justiça social. Aquilo que poderia ter sido uma tragédia transformou-se numa farsa", comparou, por sua vez, o portal The Athletic.
Nem o Sydney Morning Herald, jornal da Austrália, país natal de Kyrgios, poupou este desafio, qualificando-o de "desajeitado, constrangedor e caro". Em Espanha, o Marca anotou: "O espetáculo na Coca-Cola Arena não foi mais do que um show efervescente e superficial, sem grande profundidade e pouco suscetível de mudar o rumo do ténis moderno - mais ou menos tanto quanto um tweet influencia um livro. O australiano de 30 anos, semi-reformado, impôs-se com a agilidade de um veterano, mas com maior potência, apesar de um campo mais pequeno e de apenas uma oportunidade de serviço, a sua arma mais temível, que utilizou com moderação. Sabalenka, robusta e sempre combativa, ofereceu apenas fraca resistência ao longo dos 76 minutos de jogo".

