
Carlos Alcaraz
EPA
Espanhol venceu o sérvio na final do Open da Austrália
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Carlos Alcaraz inscreveu este domingo o nome na história do ténis, tornando-se no mais jovem de sempre a completar o Grand Slam da carreira com a conquista do Open da Austrália, perante um Novak Djokovic que falhou dois novos recordes.
Na batalha das gerações, levou a melhor o miúdo de Múrcia, que, aos 22 anos e 272 dias, destronou o compatriota Rafael Nadal, hoje presente nas bancadas da Rod Laver Arena, como o mais jovem a completar o Grand Slam de carreira - Rafa tinha-o feito com 24 anos e 101 dias.
Perante o lendário Djokovic, que procurava tornar-se, aos 38 anos e 255 dias, no tenista mais velho a vencer um Major e no recordista único de títulos do Grand Slam (lidera em masculinos, mas está empatado com Margaret Court, tendo ambos 24), "Carlitos" começou nervoso, mas acabou por impor-se por 2-6, 6-2, 6-3 e 7-5, em três horas e dois minutos.
O número um mundial somou assim o seu sétimo Major, depois dos conquistados em Roland Garros (2024 e 2025), Wimbledon (2023 e 2024) e US Open (2022 e 2025), e o primeiro após o divórcio com o seu treinador de sempre Juan Carlos Ferrero, e igualou, entre outros, os carismáticos John McEnroe e Mats Wilander.
Faltou discernimento a Alcaraz no primeiro set, com o espanhol a acusar o peso do encontro com a história e a cometer erros pouco habituais, que ajudaram "Djoko" a conseguir o break no quarto jogo.
Dez vezes campeão em Melbourne Park, onde até hoje tinha ganhado todas as finais que disputou (2008, 2011, 2012, 2013, 2015, 2016, 2019, 2020, 2021 e 2023), o veterano sérvio segurou sem problemas os seus jogos de serviço e voltou a quebrar o espanhol, totalmente fora do encontro e sem reação, para fechar o primeiro set em apenas 33 minutos.
O murciano recompôs-se no início do segundo parcial, elevando o nível da sua exibição para deixar o homem que lhe negou o ouro olímpico em Paris2024 em apuros, com um break no terceiro jogo.
Djokovic teve de imediato uma oportunidade para fazer o contra-break, mas desperdiçou-a com uma bola demasiado longa e perdeu definitivamente o ascendente, com "Carlitos" a agarrar-se à vantagem e a ampliá-la no sétimo jogo, com novo break, acabando por devolver o 6-2.
Enquanto o recordista de títulos do Grand Slam protagonizou uma das suas habituais idas aos balneários, o teto da Rod Laver Arena foi fechado para descontentamento de Alcaraz, que questionou a equipa de arbitragem sobre o porquê dessa decisão, teoricamente mais favorável ao seu adversário.
O terceiro set começou equilibrado, com "Nole" a parecer superar momentaneamente da quebra física, normal para alguém da sua idade - há 15 anos de diferença entre os dois jogadores, a maior entre finalistas na Era Open no primeiro Major da época.
No entanto, e embora tenha sido poupado no caminho para a final, devido à desistência de Jakub Mensik antes do encontro dos "oitavos" e de Lorenzo Musetti nos quartos de final - o italiano ganhava por 6-4, 6-3 e 1-3 quando foi forçado a abandonar devido a lesão -, o recordista de títulos em Melbourne Park não conseguiu voltar ao nível exibido no primeiro set.
Mais lento, acabou por sofrer um break no quinto jogo, "libertando" definitivamente Alcaraz. Tudo saía facilmente ao murciano, que, mais descontraído e solto, consumou o triunfo no terceiro set no serviço do quarto jogador mundial, já depois de o mais velho finalista do Grand Slam australiano na Era Open ter anulado quatro break points.
Evidentemente cansado, Djokovic foi assistido em court entre os sets e ganhou um novo fôlego, com o encontro a animar e a tornar-se mais equilibrado.
Depois de afastar dificuldades no oitavo jogo, o sérvio galvanizou-se, puxou pelo público da Rod Laver Arena, que correspondeu com entusiasmo, gritando "Nole, Nole", e esteve perto de quebrar o seu jovem oponente, que, contudo, conseguiu anular o break.
Quando o set parecia encaminhar-se para o tie-break, o recordista de títulos do Grand Slam teve um jogo de serviço menos conseguido e com um erro não forçado entregou o título do "Happy Slam" ao espanhol.

