
Os jogos entre equipas do continente e das regiões autónomas estão a ser cada vez mais afetados por esta falta de verdade
As faltas de comparência tornaram-se na nova praga do desporto português. Esta época quase se banalizaram, assolando várias modalidades e em ambos os sexos. A justificação dos faltosos tem um nome: crise. O desporto também sente o reajustamento de que toda a sociedade se queixa. Mas há também situações que apontam para falta de verdade desportiva e desrespeito pelos adversários, competição e insularidade.
No passado, uma falta de comparência no desporto português era rara e, quando ocorria, resultava de algo muito grave e pouco comum, como um acidente ou uma extinção de clube ou secção. Na época passada - coincidindo com os cortes nos apoios dos governos das regiões autónomas ao desporto - surgiram os primeiros casos: Porto Santo SAD, no hóquei em patins, e Machico, no voleibol, não apareceram em campo. Repetiram as ausências, o que os levou a ser eliminados dos Nacionais da I Divisão em que competiam.
Ontem, um novo anúncio de ausência já nem espantou. O HC Braga decidiu não se deslocar no próximo fim de semana à ilha do Pico para defrontar o Candelária. Será a quinta equipa do continente a optar por não fazer a viagem e, desta forma, a equipa açoriana irá somar um total de 15 pontos sem jogar. Para o emblema picaroto, não há razões para festejar, pelo contrário; sem competir, a equipa perde ritmo.
A imoralidade terá ido mais longe no basquetebol feminino, onde o penúltimo capítulo deste pesadelo, no fim de semana passado, levou uma ausência a provocar outra, gerando acusações de que em causa estavam as posições para a fase final.
Regressando ao hóquei, e perante a posição do Braga, a Federação Portuguesa de Patinagem, ciente de que tem de estancar o problema, repudiou as acusações de que deve dinheiro relativo a deslocações aos clubes, promete que vai endurecer os castigos nesta matéria, recorda que o seu principal campeonato é um dos mais importantes do mundo e acusa os prevaricadores de que estão a pôr em causa o princípio da continuidade territorial, previsto na nossa Constituição.n
