"Esta equipa não tem fome, sede, frio ou calor. Não há desculpas, não há impossíveis"

Reprodução/ Federação de Andebol de Portugal
No segundo jogo da fase de apuramento para o Euro"2022, a Seleção feminina colocou a Espanha em sentido. Perdeu por um, mas revelou uma qualidade de jogo nunca antes vista
Anteontem, em Paredes, perante um pavilhão vibrante, a Seleção Nacional feminina esteve mesmo muito próximo de bater a Espanha, medalha de prata mundial e equipa de qualidade incontestável, mas acabou por sair derrotada por 22-23.
"Em primeiro lugar, é fruto da evolução continuada que a equipa está a experimentar. Posso responder apenas pelos últimos tempos e nós aproveitamos algumas coisas que estavam feitas, estabelecemos prioridades sobre as quais nos debruçámos de forma bastante focada; e a última questão é o facto de as jogadores terem estado recetivas a algumas mudanças do ponto de vista tático, tendo revelado uma enorme disponibilidade para as cumprir", explicou o selecionador nacional José António Silva.
Porém, a questão mantém-se, uma vez que, no último embate entre estas duas equipas, em Tarragona, Espanha, Portugal havia saído derrotado por 32-15, isto em 2018, nos Jogos do Mediterrâneo.
"É difícil explicar porque não sei o contexto do jogo dessa altura, mas sei o que fizemos agora, que foi impor algumas regras, que já foram alvo de brincadeira, mas que estão a ser cumpridas: esta equipa não tem fome, nem sede, nem frio, nem calor, nem sono, nem cansaço, nada! Portanto, não há desculpas, não há impossíveis e só temos de dar o máximo para resolver os problemas", prosseguiu o técnico natural de uma freguesia da Maia que respira andebol, Águas Santas.
A verdade é que neste grupo de apuramento para o campeonato da Europa de 2022, as adversárias das portuguesas são mesmo de respeito.
"A Espanha e a Hungria, à priori, são equipas de outro patamar, de um nível mais elevado, disso não há a menor dúvida, e a Eslováquia também tem demonstrado performances muito interessantes, e ainda agora fez dois bons resultados. Mas sempre acreditámos que, se jogássemos bem, tínhamos as nossas chances, mas o ponto de partida não se alterou: estas equipas, contra Portugal, são favoritas e nós temos de encontrar as soluções para ganhar e, se o fizermos, podemos ganhar", refletiu o selecionador em conversa com O JOGO.
Já na parte final da partida, depois de ter chegado ao empate, Portugal esteve mesmo uma vez na liderança do marcador, 22-21, a três minutos do final. A seguir, numa decisão polémica da dupla de arbitragem, Bebiana Sabino foi excluída e a Seleção Nacional acabou por sair derrotada. Mas, terá José António Silva, ao ver aquele 22-21, acreditado na vitória?
"Achei que podíamos ganhar, que tínhamos ali uma oportunidade e foi pena a exclusão da Bebiana", respondeu, não querendo justificar-se com a má arbitragem de uma dupla dos Países Baixos. "Creio apenas que se tivéssemos um estatuto diferente algumas coisas seriam também diferentes", disse.
Nas bancadas de um pavilhão de Paredes extremamente bem composto, estava o selecionador masculino, Paulo Jorge Pereira. "Temos tido um contacto permanente e foi com muito agrado que o vi, como também a vários outros treinadores e muitos dirigentes, porque só todos juntos é que podemos vencer esta luta", concluiu.
