
Delmino Pereira
Adelino Meireles
Delmino Pereira é novo diretor das provas da Notícias Ilimitadas e pretende eventos mais intensos e cativantes para o público. O número de provas do universo Notícias Ilimitadas sobe para quatro, com o "TSF/JN". O histórico Grande Prémio O JOGO vai para a estrada de 23 a 26 de abril, o primeiro evento do novo diretor
Delmino Pereira está de volta ao terreno onde sempre se sentiu em casa. Entre 2012 e 2024 foi o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, depois de se ter distinguido como ciclista profissional e acumular uma ligação de quatro décadas à modalidade. Agora é o novo diretor técnico das provas da Notícias Ilimitadas e assume como desafio reinventar o ciclismo de estrada. O antigo campeão nacional, participante da Volta a Espanha e protagonista de 13 Voltas a Portugal organizadas pelo JN, defende um ciclismo mais intenso, emocional, próximo das pessoas e decisivo na coesão territorial.
O que atraiu para assumir a direção das provas da Notícias Ilimitadas?
É um desafio que junta vários pontos que me motivam, nomeadamente recriar o ciclismo e reinventar o espetáculo. O "Jornal de Notícias" está muito bem implantado, tem história, e isso pode ser muito benéfico para inovar. Além disso, é um projeto que vai ao encontro de uma necessidade pessoal, de continuar ligado ao ciclismo, onde sinto que posso acrescentar valor.
O que considera essencial para elevar estes projetos?
Cada corrida tem de ter uma história, caso contrário não há nada para contar. As provas têm de ser desenhadas para que exista um princípio, um meio e um fim, algo que apaixone o público e que o faça querer saber do desfecho. Não há eventos de sucesso sem emoção. Temos de trabalhar essa imprevisibilidade, essa carga emocional. É isso que torna o ciclismo interessante.
É fundamental atrair mais público?
Estamos numa era diferente de há 40 anos, mas há algo que não mudou: as pessoas. A criança à beira da estrada e a família que vê a corrida passar continuam iguais. Temos é de comunicar de outra forma, atrair jovens, tornar o ciclismo interessante, juntando mobilidade, turismo desportivo, sustentabilidade e espetáculo.
Promover a coesão territorial será uma premissa nas provas da Notícias Ilimitadas?
Sem dúvida. Não há outra modalidade que consiga levar a excelência desportiva a todo o território. Nós conseguimos ir do litoral ao interior, de Norte a Sul, com mediatismo e emoção. O ciclismo tem muito a dar à coesão e valorização territorial.
Como surgiu a ideia de criar o Grande Prémio TSF/JN ?
O calendário já tinha provas consolidadas. O Grande Prémio O JOGO, em abril, no início da época, o Grande Prémio JN, que regressa a junho, mês de festas, romarias, dias longos, em que as pessoas estão na rua e o Douro Internacional passa para o fim de agosto, com três dias muito cirúrgicos. O Grande Prémio TSF/JN surge como uma corrida nova, mais a Sul, com vocação internacional, para acolher equipas e seleções jovens. Queremos que seja uma corrida de oportunidade e revelações.
A aposta em provas mais curtas e intensas é deliberada?
É essencial. Hoje todos os eventos são mais curtos e mais intensos. Vamos desenhar corridas que contem histórias todos os dias. As pessoas já não têm paciência para histórias demasiado longas. O ciclismo tem uma natureza ambulante como nenhuma outra modalidade. Entramos numa terra e no dia seguinte estamos noutra. Temos de aproveitar isso.
Gostava de ver uma caravana publicitária nas provas?
Gostava. O ciclismo nasceu com a caravana publicitária. É algo que não pode ser copiado por nenhuma outra modalidade. O segredo está na estrada e na proximidade com as pessoas.
Tem orgulho no legado feito como presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo?
Tenho muito orgulho. Vivi de perto o crescimento de muitos atletas desde crianças. Tivemos sucesso desportivo, fomos campeões olímpicos, vice-campeões olímpicos, organizámos eventos de grande prestígio. Há sempre projetos incompletos, mas saí com satisfação e orgulho na equipa e no trabalho feito.
O atual momento do ciclismo português permite olhar para o futuro com otimismo?
Permite. Muitos países, com grande tradição no ciclismo, gostariam de ter campeões como nós temos. Falo do João Almeida, Rui Oliveira, Iúri Leitão, Maria Martins e muitos outros. São atletas jovens, de nível mundial. Os campeões asseguram o prestígio das modalidades e Portugal tem campeões e futuro.
Como vê o momento do ciclismo profissional nacional?
É absolutamente necessário consolidá-lo. A comunidade precisa de ser tratada como sendo profissional e a formação tem de sentir que existe uma carreira nacional sólida. Nas provas que vamos organizar queremos dar oportunidades e estimular o investimento dos patrocinadores.
