Coreia do Norte acusa EUA de quererem retomar exercícios militares em Seul após os Jogos

epa06541999 Tourists posing for photos sit inside the Olympic rings at Gyeongpo beach near the Olympic village in Gangneung, South Korea, 19 February 2018. EPA/VALDRIN XHEMAJ
EPA/VALDRIN XHEMAJ
As acusações surgem no editorial do jornal norte-coreano Rodong
A Coreia do Norte acusou esta segunda-feira os Estados Unidos de estarem a pressionar a retoma das manobras militares com a Coreia do Sul assim que terminarem os Jogos Olímpicos, dinamitando a aproximação alcançada entre o regime e Seul.
"Os Estados Unidos têm como objetivo pôr fim ao degelo nas relações entre as duas coreias imediatamente depois de se apagar a chama olímpica. Os Estados Unidos estão a fazer ruído para retomarem os seus exercícios militares com Seul logo depois do encerramento dos Jogos", refere um editorial do jornal norte-coreano Rodong.
Seul e Washington adiaram as suas manobras militares conjuntas de primavera, que normalmente se realizam entre março e abril e que Pyongyang considera que são um ensaio para invadir o seu território, para não coincidirem com os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos que decorrem em PyeongChang, na Coreia do Sul.
Após anos de relações difíceis, as duas Coreias alcançaram históricos acordos em janeiro que permitiram a participação do Norte nos Jogos Olímpicos e a visita de uma delegação norte-coreana que foi a primeira visita a solo sul-coreano de um membro da dinastia Kim, ao incluir Kim Yo-jong, irmã do líder de Pyongyang, Kim Jong-un.
Seul considera que esta aproximação com o Norte pode levar os Estados Unidos da América e a Coreia do Norte a sentarem-se, de novo, à mesa das negociações, apesar de a Casa Branca se ter mostrado cética, insistindo que o regime norte-coreano deveria mostrar, primeiro, as suas intenções para a desnuclearização.
"O risco de aumentar a tensão na península coreana está a crescer, pois os ativos estratégicos e um grande número de tropas dos Estados Unidos estão a aproximar-se da península e das suas imediações", lê-se ainda no editorial, citado pela agência Efe.
A implantação de uma maior presença militar dos Estados Unidos na península coreana foi acordada no ano passado por Seul e Washington perante os testes de armas do regime de Pyongyang.
O dirigente norte-coreano, Kim Jong-un, convidou o Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, a participar numa cimeira em Pyongyang, anunciou no dia 10 Seul.
De acordo com o convite, transmitido pela irmã do líder norte-coreano, o dirigente está pronto para se reunir com Moon "tão brevemente quanto possível", segundo um porta-voz da Casa Azul, a presidência sul-coreana.
A acontecer, o encontro será o terceiro do género, depois de o pai do atual líder norte-coreano, Kim Jong-un, se ter reunido com os sul-coreanos Kim DAe-jung e Roh Moo-Hyun, em 2000 e 2007.
