Chefe de missão faz "balanço positivo" da participação portuguesa nos Jogos de Inverno

Emeric Guerillot
EPA
"É um balanço positivo, porque os atletas, tiveram uma evolução em termos de resultados no que diz respeito às participações anteriores e esse era um dos nossos objetivos. (...) É uma participação que demonstra que os desportos de inverno estão a evoluir em Portugal e a crescer", disse Pedro Flávio.
Leia também Benfica admite expulsar sócios envolvidos em atos racistas no jogo com o Real Madrid
O chefe de missão nos Jogos Olímpicos de inverno Milão-Cortina'2026 fez esta sexta-feira "um balanço positivo" da participação portuguesa, mas lembrou a ausência de infraestruturas de excelência e advertiu que a conquista de medalhas "não está prevista num futuro próximo".
"É um balanço positivo, porque os atletas, tiveram uma evolução em termos de resultados no que diz respeito às participações anteriores e esse era um dos nossos objetivos. (...) É uma participação que demonstra que os desportos de inverno estão a evoluir em Portugal e a crescer", disse à Lusa Pedro Flávio.
Apesar de a mais importante competição mundial de desportos de inverno apenas terminar no domingo, Portugal encerrou na quarta-feira a participação em Milão-Cortina2026, onde esteve representado por três atletas: os irmãos Emeric e Vanina Guerillot, em esqui alpino, e José Cabeça, em esqui de fundo.
"Há aqui um resultado interessante, no Super G, competição em que já não competíamos desde 1994. Portugal tinha tido uma participação em Lillehammer [na Noruega] nesta modalidade de velocidade e o Emeric voltou a qualificar Portugal para esta competição e conseguimos talvez o melhor resultado de todos nesta participação olímpica", observou Pedro Flávio.
O 32.º lugar obtido por Emeric Guerillot, natural de França, igualou também o melhor desempenho de um atleta português em provas de esqui alpino, 32 anos depois de Georges Mendes ter obtido o mesmo resultado no slalom em Lillehammer1994, abrilhantando a estreia olímpica do jovem esquiador, de 18 anos.
"O Emeric é um atleta muito jovem, que tem um futuro risonho nesta modalidade. Ele também se tinha qualificado para o downhill, foi uma opção técnica não o fazer, porque é uma competição muito dura para um atleta tão jovem. (...) Mas sei que em 2030 ele tem muita vontade de fazer também o downhill e melhorar estes resultados que fez agora", assinalou.
O luso-francês desistiu na prova de slalom, disputada sob condições climatéricas muito adversas, com queda de neve intensa, que custou a eliminação de mais de metade dos atletas, e terminou a de slalom gigante numa respeitável 38.ª posição, após ter recuperado ligeiramente na segunda manga.
A irmã, Vanina Guerillot, de 23 anos, a primeira portuguesa a participar em mais do que uma edição dos Jogos Olímpicos de inverno, depois de se ter estreado em Pequim2022, foi 41.ª classificada na prova de slalom gigante, melhorando em duas posições o resultado obtido na capital chinesa, e 45.ª na de slalom.
Aos 29 anos, também na segunda presença em Jogos Olímpicos, José Cabeça não conseguiu concretizar o objetivo de alcançar o melhor resultado de Portugal no esqui de fundo. Terminou a qualificação da prova de sprint clássico no 91.º posto e foi 99.º posicionado na de 10 km estilo livre, depois de ter sofrido uma queda violenta logo no início do percurso.
"Há registos de que caiu a mais de 50 km/h, bateu com o peito numa zona gelada e fez um esforço enorme para conseguir acabar a prova, com muita dificuldade. Teve mesmo problemas respiratórios e tivemos de o levar ao hospital. Estava contente por ter terminado a prova, mas dececionado porque queria melhorar bastante o resultado que tinha conseguido em Pequim e tinha trabalhado muito para isso", explicou Pedro Flávio.
O chefe de missão de Portugal em Milão-Cortina2026 acredita que "o futuro poderá vir a trazer melhores resultados ao país, mesmo em outras modalidades em que ainda não participou", como a patinagem de velocidade no gelo - na qual Jéssica Rodrigues ficou muito perto de se apurar para os Jogos Olímpicos -, o snowboard e a patinagem artística no gelo.
"Temos esta realidade, de não sermos um país que tem infraestruturas de excelência no que diz respeito às modalidades de inverno e por isso isto é um caminho longo, um caminho que estamos a fazer, mas com objetivos de melhoria a longo prazo, é para isso que estamos a trabalhar", sustentou.
Para Pedro Flávio, "estas últimas participações têm também demonstrado que o caminho está a ser feito com consistência", mas o responsável não escondeu que o objetivo passa por "entrar na elite dos desportos de inverno": "Pensar em medalhas é uma coisa que não está prevista para o futuro próximo", advertiu.

