Atlântico da Madalena, uma bandeira de Gaia: "De repente, há um boom enorme..."

Responsáveis do clube esperam ter as duas equipas seniores na I Divisão dentro de alguns anos. Pedem mais apoios de forma a poderem ser competitivos ( Carlos Carneiro )
Carlos Carneiro
Clube fundado por um grupo de amigos, em 1970, foi crescendo, viveu um "boom" repentino e em alguns escalões já não consegue receber atletas. Quase 500 jovens fazem dos gaienses um dos clubes com mais atletas na cidade e até a nível nacional. O problema está em atrair patrocinadores para os elevados encargos de ter duas equipas seniores.
Era um dia de chuva e pela frente uma noite de Halloween. No pavilhão, os seniores masculinos, as seniores femininas e pouco mais, mas alguns dos (muitos) mais novos começaram a chegar até se conseguir uma agradável moldura, como se pode comprovar pela fotografia acima. No Atlântico da Madalena, clube fundado em 1970 "por um grupo de amigos" e que o presidente José Arrais considera mais do que uma bandeira da freguesia, "uma bandeira de Vila Nova de Gaia", são quase 500 atletas de voleibol - entre formação e equipas seniores -, distribuídos por cinco pavilhões ao longo da semana, tendo já recusado a entrada de alguns jovens, uma vez que determinados escalões têm três - sim, leu bem -, três equipas de raparigas [60 a 70 atletas no total]. "Até 2012, 2013, estava muito concentrado aqui na Madalena e, de repente, há um boom enorme. Fomos surpreendidos e já estamos numa fase em que não conseguimos aceitar mais atletas", revelou.
Além do voleibol, cuja equipa sénior masculina está na primeira divisão e a feminina na terceira - a tentar subir para a segunda -, o clube gaiense tem também ténis de mesa, a atuar no principal escalão, neste caso no que às mulheres diz respeito. De destacar ainda a pesca desportiva, que, apesar de já ter encerrado atividade, deu um título mundial ao clube, em 1992.
José Arrais explicou que ter duas equipas seniores no voleibol, cujo objetivo, mais tarde ou mais cedo, é estarem ambas na primeira divisão, acarreta bastantes custos e considerou que a "falta de patrocinadores" é uma das maiores dificuldades que enfrenta, já que "a de atletas não é" uma delas. "O único clube no concelho que poderá ter mais do que nós é o FC Gaia, porque tem muitas modalidades", elucidou. "No tecido empresarial da Madalena e de Gaia, temos um ou outro que nos apoia, mas isto já não é um clube da Madalena, é um clube de Gaia, do concelho de Gaia. Temos atletas de quase todos os pontos do concelho, e dos concelhos vizinhos, quer a sul, quer mesmo do Porto. Agora, para sermos competitivos, precisávamos de mais apoio, quer da Câmara Municipal, quer mesmo de patrocinadores locais", afirmou o presidente.
Ainda no voleibol, o Madalena sagrou-se campeão nacional de juvenis em 1975 e, mais recentemente, da II Divisão masculina, na temporada 2023/24, título que o levou de regresso ao principal escalão da modalidade sete anos depois da descida. Em 2014/15, venceu o campeonato denominado de I Divisão, enquanto o Benfica conquistou a Elite [campeão nacional].
Voltando às infraestruturas para a prática desportiva, o clube dispõe, além do Pavilhão Municipal e dos restantes recintos para os treinos, de dois campos de futebol sintéticos para aluguer e dois campos de voleibol de praia, estes com maior uso, obviamente, no verão.

José Arrais
O dia da apresentação
Dos mais novos aos mais velhos, o clube apresentou as equipas e fez o lançamento da temporada 2025/26 aos pais, restantes familiares e comunidade no início de outubro assado. Aqui, uma imagem para uma ideia mais realista da quantidade de jovens que se exercitam no Atlântico da Madalena - quase 500 atletas. No minivoleibol, dos cerca de 200 jovens, 40 são rapazes e 160 raparigas.

Dois objetivos na formação
Aposta é tanto na vertente social como na competitiva. Quer chegar aos momentos de decisão. Para além de dar a possibilidade a quem procura o clube para praticar a modalidade, o trabalho para colocar o emblema gaiense na luta por títulos está a ser realizado.
Pedro Castro é o coordenador da formação do voleibol no Atlântico da Madalena e explica-nos que o objetivo do clube passa tanto pela dimensão social como pela competitiva, sendo que esta última tem sido reforçada nos últimos anos. "Desde a Covid-19 que optámos por apostar num caminho diferente, tivemos um aumento muito grande de atletas. Neste momento, cerca de 460 na formação, além das equipas seniores. E, principalmente no feminino, temos um bocadinho as duas vertentes. Temos a vertente mais social, que permite a prática desportiva, e temos depois a parte competitiva. E já estamos a trabalhar também nesse campo, há dois anos, para tornarmos o clube mais competitivo e chegar aos momentos de decisão dos campeonatos, a lutar pelos títulos", disse.
Há também o desejo de colocar mais atletas da formação nas equipas principais: "Para já temos uma equipa sénior, que está na terceira divisão feminina, e que acreditamos que, daqui a três ou quatro anos, com o trabalho que está a ser feito na formação, poderá estar num outro patamar. A masculina este ano já integra alguns elementos da formação, começamos aos poucos a conseguir isso. E temos uma coisa que nenhum clube em Portugal tem, que são duas equipas Sub-21 masculinas, com o objetivo de preparar realmente os atletas para, quando terminarem a formação, tentarem entrar na equipa principal".


Pedro Castro
Seniores esperam manter-se
O Atlântico da Madalena tem a equipa sénior masculina na I Divisão, depois de ter ficado com a vaga da Fonte do Bastardo, que desistiu. O treinador, Nuno Santiago, explicou que a meta da temporada é manter o clube no principal escalão, mas sem esconder que podem ambicionar algo mais: "O objetivo esta época é cimentar a nossa posição. O ano passado foi muito difícil, de aprendizagem, foi quase um ano de transição. Tivemos a felicidade de ficar e estamos a tentar manter-nos, mas acho que temos um grupo que pode sonhar com mais alguma coisa, se calhar com os oito primeiros. É difícil, mas vamos tentar, estamos na luta."
A equipa liderada pelo jovem técnico português tem 14 jogadores, com apenas três atletas profissionais, vindos do Brasil. Dos 11 portugueses, dois são Sub-21, fazendo ainda parte da formação do emblema gaiense. Há ainda mais um elemento "criado" no clube, mas já com idade sénior.

Nuno Santiago

