Santo Tirso subiu e desta vez para ficar: "Temos de trabalhar um bocadão"

Santo Tirso subiu e desta vez para ficar: "Temos de trabalhar um bocadão"

Foi na temporada de 2014/15 que o Ginásio Clube de Santo Tirso esteve pela última vez - e única - entre os grandes. O desafio do técnico Danilo Ventura é conseguir a permanência. Treinador explicou a O JOGO que o mais fácil da temporada foi "motivar a equipa para os dois jogos que decidiam a subida". Pretende manter uma "base sólida" e trabalhar para ficar entre os maiores.

Oito anos depois, o Ginásio de Santo Tirso está de regresso à I Divisão. Em 2014/15, única temporada em que jogou no escalão mais alto, desceu de divisão na última jornada do grupo B, ao perder com o ISMAI, então treinado por Ricardo Costa, no Pavilhão do Formigueiro. Luís Santos liderava a equipa e o adjunto era Danilo Ventura, o homem que está agora ao comando e tem como meta fazer o nunca se conseguiu: manter o Ginásio de Santo Tirso na I Divisão.

"O desafio é ficar, estamos a começar a preparar a próxima época e somos a última equipa a fazê-lo. Temos de trabalhar não um bocado, mas um bocadão, porque o tempo é nosso inimigo", reconheceu, dizendo ainda: "O nosso principal objetivo é manter uma base sólida, não foi à toa que subimos, mas há a possibilidade de haver alguma alteração. Os diretores estão agora a trabalhar sobre aquilo que conversamos relativamente ao que poderá ser a próxima época".

Tendo sido atleta do clube - "Não fui jogador, era apenas um gajo que gostava de jogar andebol", explicou -, foi também no Santo Tirso que começou a carreira de treinador, clube que conhece como a palma das mãos.

"Tenho a certeza que já temos condições de trabalho, condições físicas, temos treinos a horas decentes. Só faltam melhores condições financeiras. A competitividade tem de estar associada à compensação financeira", alertou Danilo, revelando como era composto o plantel da subida.

"Tivemos muitos atletas da formação. Entre sub-20 e sub-18, eram sete a fazer parte dos 20. Os outros 13 é que completavam o plantel e eram verdadeiramente seniores", explicou. "Temos muita gente da casa, formada aqui, mas nem todos são de cá. Temos alguns atletas que já estão cá há algum tempo, mas não são da nossa formação, são do ABC, Águas Santas, do ISMAI e até do Boa Hora", explicou Danilo Ventura.

Relativamente à forma de motivar a uma equipa da II Divisão para decidir a subida contra duas do Andebol 1, na Liguilha decisiva, o jovem técnico, de 35 anos - faz 36 depois de amanhã -, assumiu que foi "o mais fácil de fazer" na caminhada do clube. "Apesar da fadiga, das micro lesões e dos exames da faculdade, por exemplo, não houve um só atleta que falhasse o compromisso que assumiu. Todos estavam focados no objetivo", garantiu. E assim o Santo Tirso ganhou à Sanjoanense (28-25) e ao Sporting da Horta (35-33).

Homem da terra nascido no Brasil

Danilo Ventura diz-se natural de Santo Tirso, assume ser português, mas foi na cidade Santo André, no estado de São Paulo, no Brasil, que nasceu. "Os meus pais foram emigrantes, para procurar uma vida melhor", explicou o técnico do Santo Tirso. "É incrível como dois portugueses, de terras diferentes, se encontraram numa cidade com mais de dez milhões de habitantes", referiu. "Eu e a minha irmã vivemos lá ainda uns anos, quando viemos eu tinha sete", recordou, terminando: "Eu sou português, não consigo dizer de outra maneira".

Clube pode vir a ser profissional

"Sou um profissional sem estrutura profissional, o meu objetivo é ter uma equipa dedicada a 100%, gostaria de chegar a um clube maior, que me dê essas condições. O Santo Tirso poderá vir a sê-lo, mas a curto prazo ainda não terá condições. Ainda está em evolução e até poderá tornar-se totalmente profissional, mas ainda vai demorar um pouco", admitiu Danilo Ventura.

"Sou treinador e coordenador de todo o andebol, o clube dá-me todos as condições para ser profissional", sublinhou, não negando ser um treinador que sonha com outros voos. "O que quero é ser treinador profissional. Aliás, já coloquei algumas coisas de lado, como a fisioterapia e a gestão desportiva, em que sou formado. Nunca exerci nenhuma, todo o meu foco foi sempre para o andebol", explicou o técnico, que sexta-feira faz 36 anos.

Fase final era meta assumida

Ida à fase final da II Divisão era um objetivo assumido desde o início da temporada. A subida ao Andebol 1 só foi falada depois.

"A estratégia era passar à fase final, chegar às seis melhores equipas da II Divisão. Foi assumido e isso tinha mesmo de ser conseguido", contou Danilo Ventura. "Na fase final, a meta da subida foi auto imposta pelos atletas. Falhámos o primeiro lugar na II Divisão, que foi para o Viseu. Mas sabíamos que o segundo lugar nos dava esta possibilidade e, mesmo meio abalados por falhar o primeiro, conseguimos", disse, "naturalmente ainda em festa".