Magnus Andersson em exclusivo: "Não temos medo de perder"

Magnus Andersson em exclusivo: "Não temos medo de perder"
Carlos Flórido

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Treinador do FC Porto leva seis troféus seguidos em Portugal, mas pensa que deviam ser nove e já aponta a mais conquistas.

Magnus Andersson, treinador sueco de 55 anos, abriu a época no FC Porto com a conquista da Supertaça - vitórias sobre Benfica (29-24) e Sporting (34-29) -, o seu sexto troféu consecutivo desde que chegou a Portugal. Um pleno que não o satisfaz totalmente, pois a covid-19 deixou um dos seus três anos em branco.

Horas antes de partir para a Ucrânia, onde esta quinta-feira os portistas iniciam uma fase de grupos da Liga dos Campeões inacreditavelmente difícil, o técnico dos dragões conversou com O JOGO sobre os êxitos, mas também os desafios que esperam a equipa.

Este foi o seu sexto troféu seguido em Portugal e a oitava Supertaça do FC Porto. Vai continuar a bater recordes até quando?

-Não sei. Quando me falam em seis taças eu penso que podiam ser nove. Sei que ganhamos tudo, mas também tivemos azar com o covid, o desporto parou e não ganhámos nada. Estávamos num bom momento. Mas, naturalmente, estou feliz com o que temos ganho e com esta Supertaça, que era um objetivo. Temos jogado bem, somado vitórias e queremos continuar a ganhar tudo.

Os seus jogadores estão preparados para o dia em que irão perder?

-Não temos medo de perder. Se jogarmos o nosso melhor ficamos satisfeitos. Sabemos que podemos ter dias maus e temos muito respeito pelas equipas que defrontamos. Em Portugal temos adversários fortes, como Benfica, Sporting ou Águas Santas. Tenho mais medo de não darmos o nosso melhor e perdermos dessa forma.

Os jogos da Supertaça deram a sensação de que o FC Porto continua um patamar acima das outras equipas. É verdade?

-Não diria outro patamar. A verdade é que temos bons jogadores. Não digo que isso nos coloca num outro nível; se calhar, neste momento, somos um bocadinho melhores. O nosso desejo é sermos cada vez melhores, evoluir sempre e vencer. Construir uma cultura ganhadora é importante.

Que achou de Benfica e Sporting?

-O Benfica investiu em muitos e bons jogadores. Gastou muito dinheiro na construção de uma equipa realmente boa. O Sporting também mudou a equipa quase toda, mas seguiu numa direção diferente, apostando em jogadores mais novos. Se continuarem desta forma e mantiverem os jogadores, terão uma boa equipa no futuro. O campeonato não vai ser só com o FC Porto, será necessário contar com Benfica e Sporting e eles também o poderão vencer. Será essa a meta deles. É importante para o campeonato português ter várias equipas fortes.

Além do campeonato, eles estão na Liga Europeia...

-... E será importante chegarem à fase de grupos. Tiveram algum azar no sorteio. O Benfica vai jogar com o Rein-Neckar Lowen, que será favorito, mas acredito que, se fizerem dois bons jogos, terão a possibilidade de passar. O Sporting defrontará o Holstebro, que trocou alguns jogadores e não deverá estar no mesmo nível de há dois anos, pelo que acredito que terá boas hipóteses.

Disse na final da Supertaça que os jogadores vieram cansados e desapontados dos Jogos Olímpicos. Eles fizeram uma segunda pré-época?

-Não havia tempo para um plano desses. Os olímpicos fizeram duas semanas de férias e depois recomeçaram a preparação e juntaram-se aos outros. Normalmente isso não aconteceria. Eles voltaram cansados, de muitos dias, dos jogos e das viagens, e ainda a sentirem que os resultados não foram os melhores. Mas acredito que todos se sentiram felizes ao iniciar aqui a época. A cada jogo temos vindo a ganhar ritmo. Com a competição vão ficando cada vez melhores e vamos entrar na fase em que serão tantos jogos que se torna difícil ter tempo para treinar e recuperar, em que o mais difícil é o equilíbrio entre treino e descanso.