Emigração com mais qualidade no andebol português

Emigração com mais qualidade no andebol português
Rui Guimarães/Augusto Ferro

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Depois de longos anos de lamentos por parte dos selecionadores, que pretendiam os melhores jogadores a evoluir nos maiores campeonatos, a emigração não só veio para ficar como está a aumentar.

Esta época haverá seis portugueses a jogar na espanhola Liga Asobal, quatro na Starligue francesa e um na Bundesliga alemã. No total, aumentou de 12 para 16 o número de andebolistas em campeonatos de topo europeus, ao que se soma a cereja chamada Gilberto Duarte, pois o melhor jogador nacional da atualidade reforçou o Barcelona. O fenómeno da emigração entrou numa nova fase, a mais desejada por qualquer selecionador nacional, a do crescimento dos seus jogadores nos melhores campeonatos do mundo.

"A ida de atletas para o estrangeiro tem benefícios, mas dependendo de vários fatores, como o nível do campeonato para onde vão, o tempo de utilização em jogo e o nível de treino", explica a O JOGO Paulo Jorge Pereira, selecionador nacional, sabendo que duas dessas três exigências se vão cumprir este ano para jogadores de quase todas as posições - só faltará um pivô, o que nem constitui problema: Tiago Rocha evoluiu na Liga dos Campeões com o polaco Wisla Plock antes de regressar para o Sporting e o luso-cubano Alexis Borges voltou este ano ao FC Porto depois de uma época de empréstimo ao Barcelona.

O aumento da qualidade do campeonato português é outra interessante realidade, com Tiago Rocha a explicar estar agora mais forte. "A experiência que tive foi muito importante, ajudou-me a crescer como homem e jogador. Tive de me adaptar às situações de quem vive fora do país e representei uma equipa que me deu a oportunidade de fazer grandes jogos, defrontar grandes jogadores", diz o internacional do Sporting.

"É bom que continuem a sair se cumprirem os pressupostos que indiquei", refere Paulo Jorge Pereira, lembrando que, com isso, também "abrem espaço a atletas mais jovens no campeonato português". Tudo somado, pode "beneficiar a Seleção, que fica com uma base de recrutamento mais alargada", completa o selecionador.

Um dos mais recentes emigrantes, João Moniz, que vai defender a baliza do Pontault na principal divisão francesa, já nota diferenças. "Adaptei-me a um ritmo de trabalho mais elevado e a uma intensidade de treinos mais forte, bem como a uma maior velocidade em jogo, tanto em contra-ataques como em reposições de bola", afirma, destacando a "enorme diferença entre a dimensão do andebol em França e em Portugal; aqui todas as equipas são profissionais, é tudo mais exigente, mas também com condições melhores e pavilhões sempre cheios".

Se campeonatos mais fortes fazem evoluir os jogadores nacionais, obviamente não é apenas isso que os leva a sair. Álvaro Rodrigues, emigrado há cinco anos e agora em Espanha, depois de ter passado por Roménia e Hungria, é um dos nove que atuam em equipas de segundo escalão. "O que me levou a sair foi o aspeto financeiro, além de encontrar maior respeito pelos jogadores e países onde se vive mais o andebol. Há mais condições para evoluir e a idade não é obstáculo. Em Portugal, aos 32 anos já és velho", desabafa.

Andebolistas portugueses no estrangeiro em 2018/19

I Divisão

João Ferraz, 28 anos, lateral-direito - Wetzlar (Alemanha)

Gilberto Duarte, 28, lateral-esquerdo - Barcelona (Espanha)

Filipe Mota, 34, central - Huesca (Espanha)

Sérgio Barros, 26, ponta-esquerda - Puenta Genil (Espanha)

Jorge Silva, 29, lateral-direito - Sinfin (Espanha)

João Paulo Pinto, 29, lateral-esquerdo - Huesca (Espanha)

Augusto Aranda, 20, ponta-direita - Frigorificios Morazzo (Espanha)

Gonçalo Ribeiro, 21, central - Pontault (França)

Pedro Portela, 28, ponta direita - Tremblay (França)

João Moniz, 23, guarda-redes - Pontault (França)

Wilson Davyes, 30, central - Dunquerque (França)

Pedro Spínola, 35, lateral-direito - Bern Muri (Suíça)

João Jacob Ramos, 27, lateral-esquerdo - Lions (Holanda)

Sérgio Rola, 29, ponta-direita - HC Vise BM (Bélgica)

Nuno Carvalhais, 25, lateral-esquerdo - HC Vise BM (Bélgica)

Tiago Azenha, 24, universal - Hurry Up (Holanda)

Bruno Dias, 30, guarda-redes - Diekirch (Luxemburgo)
Vladimiro Pires, 27, ponta-direita - Diekirch (Luxemburgo)
João Fernandes, 21, ponta-esquerda - Diekirch (Luxemburgo)

II Divisão

Nuno Rebelo, 27, lateral-direito - Dormagen (Alemanha)

Diogo Oliveira, 21, lateral-esquerdo - Balingen-Weilstetten (Alemanha)

Ricardo Candeias, 38, guarda-redes - Chartres (França)

Nuno Gonçalves, 25, lateral-esquerdo - Massy (França)

José Costa, 34, pivô - Nancy (França)

Tiago Pereira, 29, central - Selestat (França)

Hugo Freitas, 22, ponta-esquerda - Cherbourg (França)

Filipe Martins, 32, pivô - BM Nava (Espanha)

Álvaro Rodrigues, 37, lateral-esquerdo - BM Nava (Espanha)

Miguel Sarmento, 28, ponta-direita - Viking (Noruega)