Andebol com arbitragens atrás da evolução do jogo

Andebol com arbitragens atrás da evolução do jogo
Rui Guimarães

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José António Silva, técnico do Águas Santas, entende as observações de Magnus Andersson, treinador do FC Porto, que se referiu à forma distinta da forma de arbitrar em Portugal e na Europa, mas admite que é cada vez mais difícil apitar em Portugal, dada a subida de qualidade dos intervenientes.

A discussão não é nova, mas, com a chegada de Magnus Andersson a Portugal, voltou à ordem do dia. As diferenças entre a forma de arbitrar em Portugal e nas competições europeias já eram abordadas por Ljubomir Obradovic, o treinador sérvio que em seis épocas, entre 2009/10 e 2014/15, ganhou outros tantos campeonatos no FC Porto.

Na temporada passada, com os azuis e brancos a fazerem uma campanha brilhante na Taça EHF, tendo chegado à final-four, Andersson referiu-se várias vezes ao tema, voltando a fazê-lo a propósito do jogo de anteontem, que os campeões nacionais ganharam em Águas Santas.

"Isto já acontecia muitas vezes no ano passado, e o andebol jogado aqui e na Liga das Campeões ou na Taça EHF são dois desportos diferentes", disse, aludindo às 13 exclusões que se registaram no jogo da Maia. "Nós temos uma equipa física e claro que, se tocarmos alguém na cara, são dois minutos; mas neste caso, e para ambos os lados, foram muitas sanções e em situações que para mim não eram nada, nem sequer cartão amarelo. Não consigo mesmo perceber", completou.

José António Silva, técnico dos maiatos, também se referiu ao tema e, em concreto, às palavras do homólogo sueco. "Eu percebo o que ele quer dizer, às vezes estamos no banco e, muito sinceramente, também não entendemos algumas decisões. Se há bocado foi assim, como é que agora é assado?", interrogou-se José António, que encontra uma justificação para o facto de ser "cada vez mais difícil arbitrar em Portugal".

A explicação passa pela evolução da qualidade do jogo. "O nosso andebol está diferente, com uma dinâmica impressionante do ponto de vista físico, do ponto de vista tático e com muitas nuances. O jogo está muito difícil de arbitrar", insistiu.

A verdade é que as queixas não são novas e, para um termo de comparação com as 13 exclusões do Águas Santas-FC Porto, refira-se que a final da Liga dos Campeões da época passada - entre Vardar, da Macedónia, e Veszprém, da Hungria - teve apenas sete. A da temporada anterior, entre Nantes (do agora técnico do Sporting, Thierry Anti) e Montpellier, teve cinco e a de 2016/17, decidida por um golo, teve oito. A última final da Taça EHF, entre os alemães do Kiel e do Fuchse Berlim, terminou com seis ordens de suspensão.

Ex-árbitro Rui Freitas concorda

"Assino na totalidade aquilo que o Magnus e o José António Silva disseram", reagiu o ex-árbitro Rui Freitas. "O jogo tornou-se mais rápido, intenso e a qualidade dos intervenientes, atletas e técnicos que estão em Portugal é enorme", disse Freitas, explicando: "Tal como existe diferença competitiva entre os três grandes e os outros clubes, também existe entre as duplas de árbitros que estão habituadas à Champions, como o Duarte Santos/Ricardo Fonseca e o Eurico Nicolau/Ivan Caçador, e os outros. Essas duplas fazem uma gestão do jogo bem mais próxima do nível europeu, pois apitam nesses patamares, onde também competem FC Porto, Sporting e Benfica."