Fábio Magalhães: "Aquelas gémeas francesas estão 'atravessadas'"

Fábio Magalhães em ação no Mundial de andebol

 foto AFP

Fábio Magalhães, que faz 35 anos em março e se tornou, no Campeonato do Mundo, o jogador português mais internacional de sempre, disse a O JOGO que quer continuar.

Fábio Magalhães assumiu erros próprios das Quinas e questionou a forma como a vídeo-análise foi utilizada.

Como é que analisa a presença de Portugal no Campeonato do Mundo?
-Não posso dizer que tenha sido negativa, porque fizemos alguns jogos muito bons e em que demonstramos o nosso valor, mas claro que fica um sentimento amargo, porque, à entrada para o Main Round, tínhamos tudo na mão para nos qualificarmos e aquele empate com o Brasil deitou, não tudo, mas muito a perder. Não foi tudo porque podíamos ganhar à Suécia, mas acabou por ser mau.

Ficou a sensação de que Portugal jogou lento com o Brasil, que podia ter rendido mais...
-Realmente foi culpa nossa, devíamos ter jogado bem melhor, mais rápido. Agora é difícil encontrar justificações e eu só posso falar por mim, mas não percebi como é que, sendo primeiros do grupo, fomos o primeiro jogo do dia. Ainda tivemos a viagem de quatro horas, no dia anterior, para mudar de cidade. Mas devíamos ter jogado melhor.

Com a Suécia a Seleção Nacional jogou bastante melhor do que com o Brasil. Qual das versões é a mais próxima da realidade?
-Lá está, temos de encontrar um meio termo, chegar a uma estabilidade mais perto daquilo que fizemos com a Suécia e Hungria. Só assim é que podemos dar mais um salto e chegar mais longe nas próximas competições.

Acredita que a Seleção ainda tem capacidade para dar mais esse salto?
-Nós temos uma Seleção bastante jovem, com atletas novos, de grande potencial e que ainda podem andar aqui muito tempo. Com a experiência que vão ganhando na seleção e nos clubes, o andebol português tem condições para dar mais mais um salto, para continuar a subir patamares.

Falou numa Seleção bastante jovem, com atletas novos e o Fábio tem 34 anos. Está a querer dizer que vai retirar-se?
-Não. Não faz parte dos meus planos. Estou a dizer que temos gente muito jovem para ajudar, mas não penso retirar-me. Enquanto o selecionador quiser, vou estar sempre pronto para ajudar a Seleção Nacional.

Como se sente fisicamente?
-Se calhar já demoro mais a recuperar, é normal. Mas, como trato de mim, consigo estar ao mesmo nível dos outros.

"No andebol não se chama para ir ao VAR"
"Aquelas gémeas francesas estão "atravessadas"", atirou Fábio Magalhães, referindo-se à dupla que arbitrou Portugal por duas vezes. "A análise do lance está correta, nada a dizer. A questão é: como é que foram ao VAR após terem terminado o jogo? O VAR é uma ferramenta para quando têm dúvidas. No andebol, como acontece no futebol, não se chama para ir ao VAR. Nunca tinha visto", explicou Fábio sobre o final do encontro com o Brasil. Frente à Suécia, também houve polémica. "Num jogo deste nível, e com esta intensidade, defenderam tão bem - ou, se calhar, tão mal... - que não foram merecedores de exclusões. É incrível. Nós temos pelo menos duas mal assinaladas e a do Leonel é mesmo ridícula", defendeu.