Presidente do COP diz que as apostas são um crime organizado

Presidente do COP diz que as apostas são um crime organizado

José Manuel Constantino defende que o problema das apostas não se restringe a Portugal e ao futebol.

O presidente do Comité Olímpico de Portugal (COP), José Manuel Constantino, disse esta terça-feira que a manipulação de resultados é um problema de crime organizado, que não se restringe apenas a Portugal.

"A questão da manipulação de resultados é um problema de enorme complexidade e que está associado na maior parte dos casos a redes de crime organizado, por esse mundo fora", disse o presidente do COP na sessão de apresentação do código de conduta sobre a integridade nas apostas desportivas.

Sobre o regulamento apresentado, José Manuel Constantino frisou que é fundamental alertar as pessoas para o problema que não se limita apenas ao futebol, mas também a outros desportos.

"Este código procura, de algum modo, fazer o ponto de situação sobre este problema e, sobretudo, chamar à atenção que estamos perante um problema de opinião pública, que não é só no futebol, mas de todas as modalidades", explicou.

Já Emanuel Medeiros, CEO do Internacional Centre for Sport Security (ICSS), reconheceu os progressos notórios no combate à criminalidade nas apostas, desejando um ataque rápido às fragilidades sentidas.

"Tem havido nos últimos tempos alguns avanços significativos, mas há ainda muito para fazer. A minha chamada de atenção, o meu alerta, é para que haja, de facto, um sentido de urgência e emergência em relação a essas problemáticas", disse o dirigente português.

Emanuel Medeiros sublinhou ainda que "as vulnerabilidades só serão colmatadas com uma frente unida e comum dos governos, organismos desportivos e reguladores do mercado de apostas e, também, quando as palavras passarem aos atos".

Neste código de conduta, foram destacados problemas como as dificuldades económicas dos clubes, a falta de reconhecimento e os maus resultados desportivos e, ainda, os interesses e facilidades dos apostadores, como os lucros elevados com pouco risco, a internet sem fronteiras e a ausência de legislação.