Greve suspensa no metro de São Paulo

Greve suspensa no metro de São Paulo

A ameaça de paralisação durante o Mundial continua, todavia, a pairar

Os trabalhadores do metro de São Paulo decidiram suspender a greve até quarta-feira, mantendo, porém, a ameaça de paralisação durante o Mundial de futebol. A decisão dos trabalhadores, tomada em assembleia-geral na noite de segunda-feira, surge depois de o Tribunal Regional do Trabalho ter considerado abusiva a paralisação que gerou o caos naquela cidade brasileira de 20 milhões de habitantes.

Os trabalhadores do metro de São Paulo vão, no entanto, voltar a reunir-se para reavaliar se retomam a greve, estando convocada nova assembleia-geral para quarta-feira, dia 11, ou seja, para a véspera do Brasil-Croácia, a partida inaugural do Mundial de futebol.

Na assembleia da segunda-feira à noite foram colocadas três propostas em cima da mesa, segundo a imprensa brasileira: a continuidade da greve, a suspensão até dia 11 ou o seu fim. "Voltamos ao trabalho agora, mas teremos uma nova assembleia no dia 11 à tarde. Se vamos retomar ou não a greve no dia 12 dependerá da reintegração dos trabalhadores demitidos", disse o presidente do Sindicato dos trabalhadores do metro de São Paulo, Altino Melo dos Prazeres. "Se o governo reintegrar nossos 42 companheiros, não teremos greve no dia 13", garantiu o dirigente sindical, citado pelos 'media' locais.

Com o regresso ao trabalho -- pelo menos por dois dias --, todas as linhas do metro de São Paulo deverão estar operacionais até ao final do dia de quarta-feira, ou seja, até à nova assembleia-geral.

A greve, iniciada na semana passada, foi convocada para exigir uma atualização salarial de pelo menos 12,2%, no quadro do fracasso das negociações com o metro de São Paulo, gerido pelo Governo regional, cuja oferta é de 8,7%. Este domingo, foi determinado judicialmente que o aumento deverá ser fixado de acordo com os valores propostos pela entidade patronal.

Neste sentido, agora, a atenção está voltada para os trabalhadores despedidos como consequência pelas suas ações durante o período da paralisação, uma decisão que o governo regional se recusa, porém, revogar. "Os que foram demitidos não o foram apenas em razão da greve, há outros factos", afirmou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, citado pela imprensa brasileira. "A greve foi declarada abusiva. Se não voltam a trabalhar serão demitidos por justa causa", frisou.

O metro é o meio de transporte mais prático para chegar ao Arena Corinthians, o estádio que vai receber o jogo de abertura do Mundial, para o qual são esperados mais de 60 mil espectadores, incluindo a Presidente brasileira, Dilma Rousseff, e 11 chefes de Estado.