
Fernando Gomes (Créditos: Gerardo Santos / Global Imagens)
Aproveitar o impulso dado pelo Mundial para alavancar o crescimento sustentado da modalidade no nosso país é uma prioridade
A organização do Mundial de 2030 por Portugal, em parceria com Espanha e Marrocos, é vista por Fernando Gomes como uma oportunidade imperdível para alavancar o crescimento da modalidade de forma sustentada e sustentável.
Enquadrado com o plano estratégico da FPF para a década 20/30, a organização do Mundial vai, na visão de Fernando Gomes, marcar uma era de desenvolvimento no futebol nacional.
Até que ponto a organização do Mundial’2030 pode funcionar como motor para o desenvolvimento do futebol em Portugal?
-Todos sabemos das repercussões que o Euro’2004 teve, com um desenvolvimento tremendo da atividade desportiva e do futebol em particular. Traçando um paralelo, o facto de Portugal organizar com Espanha e Marrocos aquele que será um evento mundial de excelência, é um momento único em que será colocada à prova toda a nossa capacidade organizativa. O que é que essa realização poderá aportar? Uma paixão brutal pelo futebol em termos do próprio país. Queremos chegar aos 400 mil praticantes em 2030, que desses 400 mil tenhamos praticamente 75 mil mulheres, quase 20 por cento. Estamos plenamente convencidos que a organização do Mundial em Portugal vai potenciar o atingir destes nossos objetivos. Estamos neste momento na elaboração do dossiê de candidatura, tem de estar pronto até julho, a decisão final em termos da FIFA será tomada no último trimestre de 2024. Há, portanto, todo um trabalho que tem de ser feito e, na interligação dos programas de desenvolvimento que temos para por em prática até 2030, muitos deles vão encaixar-se nesta dinâmica de desenvolvimento associado ao Mundial de 2030.
“O que é que essa realização poderá aportar? Uma paixão brutal pelo futebol em termos do próprio país”
Em termos estruturais foi uma opção da Federação não avançar para a construção de novos estádios?
-Sabemos, por exigências do próprio caderno de encargos, que em Portugal só irão ser utilizados três estádios. Desde a primeira hora foi claro que iríamos concorrer sempre e quando não houvesse um investimento significativo para alavancar a nossa candidatura. Esse foi o compromisso assumido neste processo, até em termos de articulação com o próprio Governo. Transmitimos desde o início que em nenhum momento iríamos exigir que houvesse estádios reformulados para terem mais de 40 mil espectadores. Acima de tudo, dentro da nossa perspetiva, foi limitar o investimento nas infraestruturas que já existem e fazer um esforço maior na perspetiva de trazer as equipas para estagiarem em Portugal.
A aposta será, então, ao nível dessas estruturas de estágio?
-Muitas já existem, nomeadamente no Algarve. Campos de treino, os chamados team base camp. Criar uma rede muito forte em termos dos team base camps que existem, e eventualmente com acréscimo de alguns que estão a ser desenvolvidos para potenciar claramente a vinda de equipas para estagiarem aqui.
E será esse também um legado do Mundial? Deixar uma paisagem que tenha não elefantes brancos, mas estruturas de apoio?
-Não há elefantes brancos. Os três estádios que vão ser utilizados já existem, obviamente necessitarão de alguns melhoramentos relativamente à adaptação às exigências do caderno de encargos, mas em nenhum momento haverá qualquer tipo de investimento para criar elefantes brancos. Isso está fora de questão.
Há também jogos de abertura na Argentina, no Uruguai e Paraguai. Instalou-se ideia de Portugal ter um papel menor neste Mundial. Isso preocupa-o?
-Sinceramente, não. Portugal tem de ter a dimensão na candidatura correspondente à sua própria dimensão como país. O que lhe posso dizer é que independentemente da dimensão como país, o Comité da candidatura é liderado por um português, o engenheiro António Laranjo. Foi definido desde a primeira hora que seríamos nós a liderar todo esse processo da candidatura, fazendo fé no que é a capacidade de planeamento e de organização de Portugal. De uma forma natural, da repartição do número de jogos, e são 101, naturalmente que Espanha vai ter mais jogos do que Marrocos, Marrocos vai ter mais jogos do que Portugal, tendo em linha de conta também a dimensão dos países.


