Igor Campedelli, administrador da SAD, aproximou Isidoro Sousa do plantel e o presidente do clube foi ao balneário com o novo treinador. As voltas da SAD no primeiro ano...
Foi esta semana: pela primeira vez na época, Isidoro Sousa esteve no balneário da equipa, acompanhando Giusepe Galderisi, o novo treinador. Uma presença com mais significado do que, à primeira vista, parece, ou não estivesse em causa a aproximação plena do carismático presidente à estrutura da SAD e às decisões dela emanadas, em contraste com o que se passou nos meses iniciais deste "ano um" de um clube centenário, cujo futebol passou a ser gerido por uma sociedade.
Formada nos finais de junho passado, a SAD teve em Igor Campedelli, administrador, e Miguel Pinho, diretor-geral, os rostos da mudança. Curiosamente, foi o bom relacionamento de Miguel Pinho com o Olhanense a chave para desencadear todo o processo. Antigo elemento da prospeção do FC Porto (onde permaneceu oito anos), Pinho rumou depois ao Milan, com idênticas funções, estabelecendo então laços profissionais e de amizade com empresários italianos, ao mesmo tempo que mantinha contactos regulares com Isidoro Sousa. Na altura certa cativou Igor Campedelli para o projeto dos algarvios, convencendo-o a participar na SAD e a representar os investidores italianos que, apoiados em fundos ingleses, ficaram com uma participação maioritária, detendo 80% do capital de um milhão de euros. A liderança da sociedade ficou entregue a Isidoro Sousa, mas, na prática, Igor Campedelli assumiu o papel decisor e Miguel Pinho a chefia do futebol. Os sinais de mudança não tardaram, desde a formação de um plantel quase todo novo (só transitaram cinco jogadores da época transata) à aposta em Abel Xavier, que se estreava como treinador.
Decorridas oito jornadas na I Liga, mais de 20 reforços, de 13 nacionalidades, testemunharam a troca de Abel Xavier por Paulo Alves. Os oito pontos somados e as exibições da equipa não agradaram aos investidores, que passaram, desde então, a consultar mais Isidoro Sousa, atendendo à sua experiência e ao conhecimento do futebol português. A medida, porém, não surtiu efeito, já que com Paulo Alves o Olhanense averbou uma mão-cheia de derrotas e desceu ao último lugar. Com o fim da primeira volta à vista, Giuseppe Galderisi, um técnico italiano com passado como futebolista mas sem palmarés de relevo como treinador, foi o escolhido.
Depois de dois técnicos portugueses, a opção recaiu num estrangeiro, ainda com o dedo de Campedelli mas já com Isidoro por dentro da jogada. Antes desta alteração, Miguel Pinho deixou de fazer parte do dia a dia do clube, um afastamento que "está a ser analisado internamente pela SAD", relacionado, certamente, com o fracasso até agora registado. Campedelli é uma figura sempre presente, tal como Alessandro Sbraccia, o diretor financeiro que é o braço direito do administrador, e também Isidoro Sousa, reflexo da tal maior aproximação entre clube e SAD e de um trabalho em conjunto que, aliás, acaba de dar frutos, com o regresso ao José Arcanjo como pano de fundo.
"Três treinadores numa época não é sinal de sucesso e custa dinheiro. É uma derrota da SAD, mas temos condições para melhorar e obter ainda bons resultados", admitiu Campedelli. "Este projeto engloba duas fases: a primeira, que foi salvar o clube, teve saldo positivo; agora, falta conseguir a permanência". Como diz o próprio, "esta administração tem muitos anos de futebol e gosta de desafios". Este, convenhamos, é para dar luta.
