
Cissokho, Casillas, Maicon e Marcano na origem de muitos pontos perdidos. Há mais erros incríveis pelo caminho, mas, para bem do FC Porto, a equipa "só" perdeu pontos em quatro desses jogos
É a desorganização coletiva que proporciona os erros individuais ou são estes que espoletam o desnorte da equipa? A pergunta é uma pescadinha de rabo na boca e a resposta não aliviará as dores deste FC Porto, que vive um momento especialmente delicado, com cinco derrotas nos 12 jogos com José Peseiro (tantas com em toda a época passada), duas delas no campeonato a custarem o atraso de seis pontos para o líder Benfica.
Contra o Arouca foi Maicon a deitar tudo a perder. Em Braga outro central, no caso, Marcano. Estes dois lances para apanhados são os mais frescos na memória, mas a época teve muitos outros erros individuais que contribuíram para o desnorte atual e para o atraso na luta pelo título, difícil de recuperar a nove jornadas do fim. Nesta contagem só incluímos os erros em jogos de campeonato. Depois excluímos aqueles que aconteceram em jogos que a equipa venceu. E, por fim, não contamos também com aqueles que são relativamente normais, por posicionamento deficiente ou porque o adversário também tem mérito. Contas feitas, sobram quatro, que ao lado recordamos em imagem: Cissokho contra o Marítimo, Casillas com o V. Guimarães, Maicon contra o Arouca e, agora, Marcano contra o Braga. Os dragões somaram apenas um ponto em 12 possíveis. Dificilmente conseguiriam os quatro triunfos mas, no mínimo, teriam conquistado seis pontos, suficientes para estarem à frente do Sporting e a apenas um do Benfica.
Estancar esta série de calamidades é desafio imediato para José Peseiro. Mas já o era antes e a verdade é que ainda não encontrou solução. Em nenhum momento, o treinador apontou culpas diretas aos jogadores que orienta. Pelo contrário, tem optado por elogiar a qualidade do plantel que tem às ordens e assume, sem problemas, a desorganização defensiva da equipa, lamentando a falta de tempo para a resolver. Voltando à pergunta com que começámos este texto, os erros individuais podem estancar precisamente quando a equipa se organizar. É do domínio técnico, do treino e do jogo, garantem Tulipa e Henrique Calisto, dois treinadores com quem falámos a propósito da tal dúvida. "Em primeiro aparece a desorganização coletiva e depois surge o erro individual. O erro acontecerá sempre, mas mais quando não se conhece o jogo nem a forma como se podem contrariar as adversidades impostas pelos adversários", explica-nos Tulipa. Calisto chega à mesma conclusão, mas por caminhos diferentes: "O erro é consequência do mau processo coletivo e da desorganização da equipa. Mas esta tem que ver com a falta de rotinas da defesa do FC Porto. E isso acontece porque há poucas opções, sinal de que a época foi mal planeada."
