Christian Gourcuff elogio o argelino do FC Porto
De passagem pelo Porto para visitar Brahimi, Christian Gourcuff, selecionador da Argélia, esteve no Dragão a assistir ao jogo com o Basileia, que coincidiu com a melhor exibição do extremo desde que regressou da CAN. Aproveitando a ocasião, O JOGO ouviu em exclusivo o treinador francês explicar de que forma o FC Porto tem sido benéfico para a evolução de Brahimi e o porquê de este ter atravessado um momento menos bom.
Por que veio ver Brahimi?
-Queria conversar com ele. Vou recebê-lo no final do mês, na concentração da seleção, mas aqui vou aproveitar para fazermos um pequeno balanço da Taça de África das Nações. Nesta fase, vou visitar jogadores em Portugal e Espanha e, no mês que vem, vou a Inglaterra. Faz parte da minha planificação.
Também é uma peça essencial na seleção?
-É uma joia. Yacine é um jogador que se revelou este ano e não admira que isso tenha coincidido com a sua chegada ao FC Porto. É brilhante, um pouco frágil, é preciso ter alguns cuidados com ele e colocá-lo nas melhores condições para extrair dele o máximo, mas pode progredir muito.
Depois de ter trabalhado com ele anteriormente, sente que progrediu no FC Porto?
-Claramente. Acho que a progressão dele está ligada ao contexto de jogo que veio encontrar no FC Porto. Está como peixe na água, numa equipa que gosta de ter bola, tanto como ele. Depois, é como todos os dribladores, ou seja, quando não tem soluções de passe, tem tendência para se agarrar à bola, em algumas ocasiões até de mais. Mas, quando tem soluções, é um jogador que tem o sentido do coletivo. O que ele não tinha antes eram as soluções que tem no FC Porto.
Mas, à exceção do jogo com o Basileia, não tem pesado tanto no coletivo, como até dezembro. Porquê?
-Tem a ver com as características físicas dele, não estamos a falar de um monstro desse ponto de vista, quer ao nível atlético, quer ao nível aeróbico, portanto temos de saber doseá-lo no esforço. Não tem um pulmão que lhe permita correr 90 minutos em três jogos por semana, durante uma época inteira. Deve ser utilizado da melhor forma e penso que o FC Porto está a fazê-lo bem. Também não esteve tão bem na Taça de África das Nações, porque não eram as condições ideais para que pudesse exprimir-se. E mesmo depois, apesar de o ter visto fazer alguns bons jogos, foi difícil.
Como se tira o melhor partido de Brahimi?
-Pode jogar na esquerda do ataque, mas a capacidade de recuperação dele não é grande e, se insistir nisso, vai ficar esgotado. Se jogar atrás do avançado, no eixo, vai ter menos raio de ação e com isso desperdiçar menos energia, concentrando as suas qualidades na exclusividade das suas funções.
Que não é o caso no FC Porto...
-No FC Porto, com o sistema em 4x3x3, a recuperação é rápida e a pressão na perda de bola faz-se muito alta, não precisa de se desgastar tanto nas recuperações. Mas, quando defronta um adversário mais forte, vai ter mais dificuldade para recuperar a bola e, aí, isso vai penalizar Brahimi nas recuperações e na sua capacidade para relançar a equipa para o ataque. A este nível, é como na Fórmula 1, todos os pormenores são decisivos. Se ele tiver de correr muito, vai desgastar-se e perder a capacidade de explosão que tem. Além disso, tem uma característica muito rara no futebol, que é a capacidade de se virar para a baliza num golpe de rim. Quando joga de costas para a baliza, tem a capacidade de fazer a diferença na fase de receção, orientando logo ali a bola e muitas vezes apagando um adversário só com isso.
Esperava mais dele na CAN?
-Não foi aquele jogador determinante que se esperava, tão decisivo. Revi os jogos, fez uma boa CAN, mas não ao nível que podíamos esperar.
