
Alta tensão. Derrota com o Belenenses chumbou onze com dois trincos (Custódio e Mauro) e Luiz Carlos, deixando Jesualdo Ferreira sem margem para erros
Só uma vitória incontestável frente ao Aves, que valerá o apuramento para as meias-finais da Taça de Portugal, poderá acabar com a enorme frustração que tomou conta da administração da SAD do Braga, especialmente do presidente António Salvador, depois da derrota com o Belenenses, para o campeonato. Atendendo a que os minhotos não perdiam há oito jogos, há razões para admitir que o mau resultado no Restelo terá sido um mero acidente de percurso, mas a sociedade desportiva assimilou muito mal a forma retraída como a equipa atuou, apontando como principal motivo a aposta falhada num meio-campo demasiado musculado e de tração traseira, constituído por dois trincos (Custódio e Mauro) e Luiz Carlos. Ao que O JOGO apurou, a estratégia montada irritou de tal forma o presidente arsenalista que Jesualdo Ferreira está proibido de falhar nos próximos três jogos, entrando aqui a receção ao Gil Vicente, para o campeonato, e a deslocação a Vila do Conde, a contar para as meias-finais da Taça da Liga.
À beira de um ataque de nervos, António Salvador foi explícito nos desabafos transmitidos ao treinador e, por isso, aguarda uma resposta cabal na partida com o Aves. Por aí, os jogadores também não têm qualquer dúvida, até porque o líder máximo do clube tem acompanhado diariamente a preparação da equipa, transmitindo claramente a ideia de que se aproximam momentos cruciais. De resto, Jesualdo Ferreira até foi o primeiro a assumir que o Braga da última jornada foi uma caricatura dos jogos anteriores. "A entrada na segunda parte foi quase inqualificável para as nossas aspirações. Não vou camuflar, é uma situação que não me agradou. Faltou raça e humildade", declarou. Se por um lado faltou empenho; por outro, o técnico também percebeu que faltava dinâmica ao meio-campo, razão pela qual substituiu, ao intervalo, o médio-defensivo Mauro pelo atacante Pardo, numa clara tentativa de reeditar o carrossel ofensivo que tão bons resultados havia dado em jogos anteriores. Mais tarde seria a vez de entrar o extremo Kappel, por troca com Luiz Carlos, outra unidade do meio-campo, mas a vitória acabaria por sorrir ao Belenenses, o mesmo adversário que havia sido goleado (5-0) na Pedreira, no fecho do grupo C da Taça da Liga.
Semelhante desfecho-surpresa teve ainda o condão de despertar um fantasma relativamente antigo: o afastamento precoce da Liga Europa, ainda em pleno play-off. Por essa altura, Jesualdo Ferreira ainda cintilava graças ao arranque vitorioso do Braga no campeonato; ao cabo 17 jornadas, a equipa está a quatro pontos dos lugares europeus.
