Obrigado a desafiar fantasmas de três meses sem vencer em casa, o Boavista dominou o Belenenses e os próprios medos para poder ficar à espera de ver quanto rende a jornada dos aflitos
Quem, ontem, assistisse à primeira parte do Boavista-Belenenses sem saber a história deste campeonato e o que estava ali em jogo não imaginaria que aquela correria axadrezada na direção da baliza de Ricardo Ribeiro tinha como propósito fugir aos cálculos aflitivos da permanência no escalão principal. Talvez desconfiasse, é certo, que os azuis entraram demasiado macios no jogo, mas não haveria como apontar-lhes a descontração de um campeonato resolvido, porque havia demasiada pressão caseira em cima da área de Ricardo Ribeiro a sufocar o rival do Restelo. Se respirar era complicado, organizar-se foi um desafio perdido e o que sobrou foi o guarda-redes, espetacular, a adiar um golo que nem mesmo todos os traumas acumulados em três meses sem vitórias no Bessa - quase o mesmo tempo que o Belenenses levava sem perder fora - pareciam poder evitar. Talvez só Ricardo Ribeiro, que, entre meia dúzia de grandes defesas, aos 34", fez aquela impossível, com uma sapatada a um remate de primeira de Anderson Carvalho, num centro de Rúben Ribeiro arrancado em desequilíbrio, sobre a linha - foi assim, nos limites, essa primeira parte que acabou com um golo de Zé Manuel, assistido por Idris num canto de Renato Santos, a dar sentido a todo o esforço.
O segundo tempo trouxe a promessa de mais Belenenses, onde até então só sobrara espaço para a maturidade de Rúben Pinto a disfarçar as carências alheias, mas um desvario de Ricardo Dias, num salto arriscado em que o cotovelo voou perigosamente na direção da cabeça de Tahar, deixou o Belenenses com dez, condenado a reorganizar-se à força e a transformar o resto da história do jogo num exercício de resistência cumprido a rigor, sem o Boavista se distrair da obsessão de um golo que desse tranquilidade a valer, para chegar ao fim e descobrir, aliviado, que, desta vez, correu tudo bem. Resta esperar para ver o que fazem Académica e U. Madeira para se saber, ao certo, quanto valeu a vitória do Boavista.
