Uma goleada azedada pelo transístor

Uma goleada azedada pelo transístor

Sporting fez a sua parte, batendo um Braga macio, com a mente no Jamor. Bryan Ruiz deu um recital de técnica e empenho. Mas o Benfica não tremeu...

Foi uma vitória limpinha a do Sporting em Braga, no fecho do campeonato, mas certamente com um sabor espinhoso e que custou bastante a engolir a jogadores e responsáveis leoninos, devido ao outro jogo que decorria em paralelo, o do Benfica, cujo desfecho invalidou as esperanças sportinguistas de ainda chegarem ao título. Fosse através dos transístores de outros tempos ou dos atuais smartphones, seriam poucos os que, dos quase 20 mil que estiveram na Pedreira, não estavam de olhos no relvado e ouvidos na Luz, ao ponto de aquilo que se passou em Lisboa ter tido eco em Braga, em particular no notório desânimo que se abateu sobre os jogadores verdes e brancos quando, pela reação das bancadas, se aperceberam que o rival também vencia por 2-0...

O leão fez o que lhe competia e, com João Mário ao meio no lugar do castigado Adrien e Gelson na ala, entrou a todo o gás. Literalmente! Logo na bola de saída, uma jogada de laboratório culminou com o primeiro remate de Slimani à baliza de Marafona, que defendeu a dois tempos. Estava dado o sinal para quase tudo o que se seguiria - um Sporting com a iniciativa de jogo, a procurar abrir espaços pelas alas para depois assistir a dupla de matadores que deambulava pela zona central do ataque, Slimani e Teo. Com uma equipa da casa em poupanças para a final da Taça e poupada na exploração do terreno, foi o colombiano quem abriu o marcador, provocando a primeira explosão entre os adeptos sportinguistas que estavam no Municipal de Braga. Bryan Ruiz - brilhante, esteve nos quatro tentos! - recebeu um passe de rotura de João Mário e "obrigou" que Teo encostasse para o golo com um cruzamento perfeito e a "ajuda" de uma defesa bracarense desinspirada.

Nas bancadas, era a loucura porque o leão estava, ainda que virtualmente, à frente da águia. E, três minutos depois, um carrinho de Arghus valeu a expulsão ao central do Braga e, depois de momentos de indefinição sobre se teria sido dentro ou fora da área, deu um livre muito perigoso para Ruiz bater. Naqueles entretantos, porém, chegava a notícia de que Gaitán tinha marcado na Luz... Mas o leão estava embalado e sabe-se como é difícil travar uma fera a alta velocidade. Resultado: numa jogada semelhante à primeira mas com protagonistas diferentes, Slimani faz o 2-0 de cabeça. Renascia a esperança, até porque na Luz, o 1-0 podia transformar-se em empate. Mas não. Passados sete minutos, novo balde de água fria - nas aspirações do Sporting e no jogo. O Benfica voltara a marcar e na Pedreira escutou-se um burburinho que para alguns terá soado a requiem...

O encontro, até e depois do intervalo, tornou-se, então, desinteressante, excetuando a digníssima festa dos adeptos nas bancadas. O Braga, com menos um, defendia-se e o Sporting mandava, mais por obrigação do que por convicção. A goleada ficaria completa com mais dois tiros que serviram para sublinhar a mestria de Bryan Ruiz. O título de campeão, esse, já se comemorava em Lisboa...