Jorge Jesus abre a porta de saída

Jorge Jesus abre a porta de saída

Planificação da nova época tem motivado cisões entre técnico e SAD, podendo levar à rutura

Cerca de um ano depois de desencadear uma explosão no futebol português, ao trocar o Benfica pelo Sporting, Jorge Jesus pode voltar a inflamar o defeso com uma saída precoce do projeto iniciado em Alvalade, em julho de 2015. Segundo o que O JOGO apurou, o treinador está a ponderar abandonar o clube devido a divergências com a SAD liderada por Bruno de Carvalho em relação ao planeamento da próxima temporada. O ponto mais sensível em cima da mesa prende-se com o mercado, embora a estratégia de comunicação utilizada pela estrutura na presente época (ver caixa) e a falta de condições a nível estrutural e logístico, isto em relação aos mais diretos rivais, também preocupam Jorge Jesus, que não considera suficientes as reformas que encabeçou. Quer mais.

Face às dificuldades financeiras da SAD, o treinador compreende a inevitabilidade da negociação de Slimani - atleta pelo qual Leicester e Tottenham podem bater a cláusula de rescisão de 30 milhões de euros -, mas não está satisfeito com a abertura para vender João Mário (ver peça ao lado), Teo Gutiérrez e Naldo, central em cuja evolução acredita. Ao que O JOGO apurou, o técnico considera o trio fulcral para manter o Sporting como forte candidato ao título da próxima época, o que já foi conseguido em 2015/16 e que o próprio JJ declarou ser "obra".

Além da ideia de travar qualquer tipo de revolução a nível de plantel, JJ também não se contenta com a passividade da SAD em relação ao reforço do elenco. Mesmo com as contratações asseguradas do médio Alan Ruiz e do avançado Spalvis, o técnico leonino tem em mente os fracassos recentes a nível de mercado e teme que tal possa levar à repetição de erros do passado neste defeso. Recorde-se que, só durante esta época, Jorge Jesus viu Danilo, Marega e José Sá aterrarem no Estádio do Dragão e Franco Cervi na Luz, embora a "fuga" mais impactante tenha sido a de Mitroglou, pedido expresso do técnico do Sporting e que desempenhou papel decisivo na conquista do título encarnado.

No caso de rutura total entre treinador e SAD verde e branca, ao ponto de precipitar-se a saída do primeiro, aplicam-se os termos previstos no contrato vigente entre as partes. Apesar de não existir nenhuma cláusula para a rescisão do mesmo, está previsto que, caso Jorge Jesus rescinda unilateralmente, terá de pagar um valor correspondente a todas as suas remunerações ilíquidas até final do contrato: dez milhões de euros, cinco milhões por cada ano que resta até ao fim do vínculo.