Qualidade, controlo e o Danilo dos milhões

Qualidade, controlo e o Danilo dos milhões

Voltou a posse de bola e o controlo absoluto de todas as componentes do jogo tanto em termos ofensivos como defensivos.

Três golos do lateral-direito Danilo e um enorme sorriso no rosto do princípio ao fim do jogo, transmitindo a ideia de que o jogador tristonho que não queria ser lateral e acusou o facto de ter custado perto de 18 milhões de euros deu lugar ao craque que valeu essa mesma quantia. Marcou de bola corrida e duas vezes de livre direto, dois remates de compêndio.

Paulo Fonseca tinha prometido uma equipa mais rigorosa para o último teste desta digressão sul-americana e cumpriu. O FC Porto continuou a fazer as experiências que o técnico entende serem importantes, voltou a jogar com um meio-campo de três unidades com o triângulo invertido (2+1), mas controlou por completo a partida. O facto de jogar em altitude - 2600 metros! - não aconselhava grandes correrias ou aposta na profundidade, mas sim um bloco coeso e móvel, capaz de ler cada momento, pressionando alto mas só quando se justificava. Assistiu-se igualmente ao regresso a um interessante esquema de posse e circulação de bola, fazendo-a girar com a-propósito, temporizando, partindo para o desequilíbrio numérico de forma adequada.

Fiéis aos princípios de jogo que levam à troca dos extremos, atuando o esquerdino à direita e o destro à esquerda, Licá e Kelvin ensaiaram movimentos de entrada para a zona central, onde a presença de Lucho como apoiador de Jackson ajuda a criar espaços de remate. Os extremos tentaram, o lateral conseguiu: num desses lances tipificados em que a bola foi roubada no meio-campo adversário, Danilo flectiu da direita para o meio e, de pé esquerdo, inaugurou o marcador.

Apesar de habituado à altitude, pode afirmar-se que o Millonarios sentiu sempre uma enorme dificuldade em respirar, o que vale por dizer em contrariar o estilo de jogo portista, uma aposta no controlo total das operações. Daí que a equipa da casa não tivesse conseguido um lance de perigo que fosse, tanto em ataque continuado como em contra-ataque. Dois remates de longe, ambos na primeira parte, foi o único pecúlio contabilizado.

A situação da equipa anfitriã piorou com a expulsão de Ramirez (57'), mas já antes disso Danilo tinha feito o segundo golo, num livre direto perfeito, em que a bola entrou ao ângulo superior, batendo na barra antes de entrar. Como era de esperar, contra dez o domínio portista acentuou-se, mas para Paulo Fonseca o vermelho ao colombiano funcionou mais como contrariedade do que como benefício, porque o teste ficou um pouco desvirtuado. E se depois do hat trick de Danilo à exibição portista faltava apenas mais um golo de bola corrida, Jackson tratou de o marcar. E que golo! Chapéu perfeito e de aba larga.

De registar ainda que a rotação dos jogadores não belisca os princípios e que a luta pelos lugares na equipa vai ser dura.