Raphael: da internet ao golo

Manuel Casaca

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Raphael Guerreiro nasceu em França, mas optou por jogar por Portugal. Depois dos sub-21, o batismo na Seleção A com a titularidade com a Arménia e um golo à Argentina.

Raphael Guerreiro foi a grande novidade no onze que Portugal apresentou contra a Arménia, jogando no lado esquerdo da defesa, onde teve um desempenho muito positivo, confirmando as boas indicações que já tinha dado nos sub-21. A mais mediática das exibições do esquerdino tinha sido na primeira mão do play-off, na Holanda, num jogo em que esteve em evidência a atacar e a defender. Deixou boas indicações e Fernando Santos chamou-o para o jogo de sexta-feira. Sem Fábio Coentrão, Eliseu e Antunes, todos lesionados, a experiência de Tiago Gomes, jogador do Braga, parecia conferir-lhe vantagem, mas o selecionador nacional apostou no menino, de 20 anos, e os resultados foram positivos, ficando claramente a sensação que Portugal ganhou uma opção válida para o futuro.

Depois de contribuir para a vitória, por 1-0, contra a Arménia, que permitiu à Seleção Nacional dar um passo em frente para estar na fase final do Euro"2016, Raphael Guerreiro marcou, de cabeça, o golo da vitória portuguesa sobre a Argentina.

Natural de Caen, onde começou a dar nas vistas, foi descoberto pela equipa técnica dos sub-21, liderada por Rui Jorge. Num projeto que visava encontrar soluções para o futebol português, o apelido do jogador chamou à atenção, depois de várias pesquisas na internet. Filho de pai português e mãe francesa, Raphael Guerreiro optou por jogar por Portugal, apesar do convite que também lhe tinha sido endereçado pela Federação Francesa de Futebol. Chamado à seleção de sub-21, fez oito jogos e mostrou potencial, sendo promovido à equipa principal.

A adaptação tem corrido bem e nem a barreira linguística tem atrapalhado, apesar de Raphael Guerreiro quase não dizer uma palavra em português. O sportinguista Adrien Silva, outro "francófono" da Seleção, tem ajudado e muito na integração. O médio não alinhou contra a Arménia, ficando até na bancada, mas isso também não foi problema para Raphael Guerreiro, que teve em Ricardo Carvalho um bom amigo. O defesa-central jogou descaído para a esquerda e, fruto da experiência, ajudou o lateral a posicionar-se melhor. Curiosamente, os dois comunicaram em português, a pedido do jovem que tem menos 16 anos do que o experiente jogador do Mónaco. "Falei com ele em português, porque ele diz que percebe tudo. Uma vez ou outra, posso falar em francês, mas ele pede para falar em português e diz que nem preciso de traduzir", contou a O JOGO Ricardo Carvalho, revelando ainda que o esquerdino está a adaptar-se bem. "Ele sente-se bem na seleção", garante.